Centros comerciais dão saúde

Publicada a: 04/02/2010    Fonte: Reuters

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Templos de consumismo por excelência, os centros comerciais são também os locais escolhidos por muitos consumidores norte-americanos para fazerem caminhadas, propondi serviços específicos e até clubes, numa tendência que se está a espalhar para a Europa e para a Ásia.

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Andar nos centros comerciais, ou à volta de um centro comercial para fazer exercício, tornou-se uma opção de fitness nos EUA e não apenas para idosos. «A maior parte das pessoas que faz caminhadas nos centros comerciais está reformada», revela Sara Donovan, que escreveu o livro “Mall Walking Madness: Everything You Need to Know to Lose Weight and Have Fun at the Same Time”. No entanto, prossegue, «há uma grande percentagem de mães com carrinhos de bebé e também pais – e isto é algo que não esperávamos – que ensinam os seus filhos em casa e para quem as caminhadas nos shoppings faz parte da educação física das crianças».

Andar é uma das opções de fitness mais antigas. Há milhares de anos atrás, o grego Hipócrates, “pai” da medicina moderna, declarou o caminhar como o melhor remédio. Actualmente, a AARP, uma das principais organizações de idosos, aponta o controlo de peso e das tensões e a diminuição do risco de ataque cardíaco e enfarte entre os seus benefícios.

Andar nos centros comerciais começou quando o primeiro centro comercial totalmente fechado dos EUA, o Stockdale, abriu no Minnesota em 1956 e os médicos locais aconselharam os pacientes a recuperarem de ataques cardíacos com exercício lá, longe da neve e do frio dos rigorosos Invernos do Minnesota. «Era muito popular. As pessoas que queriam fazer exercício gravitavam no centro comercial Stockdale. Então os administradores passaram a abrir as suas portas mais cedo», explica Donovan.

Os anos 80 viram um grande impulso na construção de centros comerciais e, em 2001, cerca de 2,5 milhões de pessoas faziam caminhadas nos 1.800 centros comerciais dos EUA, de acordo com o livro de Donovan. Uma tendência que está a começar a difundir-se na Europa e na Ásia.

O Mall of America, em Bloomington, no Minnesota, tem gerido um programa de caminhadas no centro comercial, baptizado Mall Stars, desde a sua abertura em 1992. «Faz muito frio aqui, mas no centro está sempre uma temperatura agradável», afirma Erica Dao, porta-voz do centro comercial, descrito como «o maior complexo de entretenimento e retalho totalmente fechado nos EUA».

O centro comercial abre às 7 horas, três horas antes das lojas, para receber as pessoas que querem andar. A distância num piso do Mall of America é de quase 1 km.

Dao revela que mais de 200 pessoas pertencem ao Mall Stars. Uma quota anual de 15 dólares (cerca de 10 euros) dá-lhes acesso a um pequeno-almoço por mês, descontos nas lojas, sessões de esclarecimento sobre saúde e fitness, entre outros benefícios.

Elayne Gilhousen e o marido pertencem ao programa Mall Stars há 17 anos. «O centro comercial disponibilizou-nos inclusive uma área para podemos pendurar os nossos casacos», afirma. «Começamos às 9 horas e caminhamos entre 45 minutos e uma hora, dependendo de quantas pessoas encontramos e com quem paramos a falar. O meu marido teve uma série de doenças e, para nós, andar no centro comercial é essencial, não apenas pelo exercício, mas pela actividade social, pelo facto de cumprimentarmos e sorrirmos para as pessoas».

Donovan aponta ainda que os centros comerciais são um local onde as pessoas que fazem caminhadas podem sentir-se seguras. «Há sempre uma casa de banho e a maior parte dos centros comerciais tem seguranças». E lembra que quando o Evergreen Mall, nos subúrbios de Chicago, tentou parar o seu programa de andar em 2001, o tsunami de más notícias e ameaças de boicotes forçou a administração a reconsiderar. «Tinham uma revolta em mãos», explica. «Estas são pessoas que fazem exercício. A bem ou a mal vão continuar a fazer as suas caminhadas».