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A formar o futuro da ITV

O Modatex celebrou, em 2016, cinco anos de atividade, somando já mais de um milhão de horas de formação. Com o serviço de validação e certificação de competências incorporado recentemente, o centro de formação pretende continuar a apoiar o desenvolvimento das empresas e a promover as profissões ligadas à industria têxtil e vestuário.

Reunindo as competências anteriormente distribuídas pelos extintos centros de formação profissional Citex, Civec e Cilan, o Modatex é hoje a referência na formação técnica para a indústria têxtil e vestuário (ITV). Com apenas cinco anos de existência, deu passos largos ao encontro das necessidades do sector, numa auscultação permanente das empresas para adaptar a sua oferta aos serviços que elas carecem, ao mesmo tempo que procura promover e valorizar as profissões ligadas a toda a fileira, em parceria com a indústria.

«A importância das profissões é importante para todos os que trabalham para o sector e todos nós trabalhamos para o sector. Agora, tenho uma perspetiva que, sozinha, sou capaz de fazer muito pouco, porque o sector é muito grande. Por isso, se nos aliarmos, teremos sempre um impacto muito maior», afirmou Sónia Pinto, diretora-geral do Modatex, numa entrevista publicada na edição de janeiro do Jornal Têxtil.

Com uma multiplicidade de serviços e oferta formativa, o Modatex, que no final de 2016 contava com 300 adultos no reconhecimento de competências, 1,1 milhões de horas de formação, mais de 14 mil formando e mais de 3.000 contactos com empresas, introduziu mais recentemente a validação e certificação de competências. «Tivemos logo a perceção clara que este serviço só faria sentido se estivesse ao serviço dos trabalhadores das empresas, em termos de reconhecimento – não nos resignámos a esperar que os trabalhadores da indústria viessem ter connosco», explicou Sónia Pinto. O centro de formação incorporou a metodologia na sua oferta e, até agora, já estabeleceu 2.500 contactos com empresas nos vários sites do centro, que conta com cinco unidades próprias – Barcelos, Vila das Aves, Porto, Covilhã e Lisboa – e três extensões, em Marco de Canaveses, Lousada e Pinhel. «A porta de entrada é sempre a mesma, seja para formação, seja para reconhecimento», ulinhou a diretora-geral do Modatex.

Uma oferta que tem sido bem recebida pelas empresas e pelos trabalhadores. «É a valorização daquilo que sabem e, portanto, essa valorização traz acréscimos de motivação, de reconhecimento», admitiu a diretora-geral, que focou a existência de um júri externo na avaliação final das competências.

O centro é igualmente reconhecido pela formação de novos talentos, abrindo as portas da indústria da moda aos mais novos. «Acima de tudo é uma questão de reconhecimento da marca. A concorrência serve mesmo para não nos encostarmos, para não ficarmos estagnados. A concorrência é sempre na procura de ultrapassar, de melhorar, de atingir a excelência», advogou a diretora-geral. O segredo, garantiu, é a busca pela excelência desde o início do processo. «Há uma seleção muito exigente e não queremos baixar a qualidade», referiu. «Tentamos ter os melhores dos melhores», acrescentou Sónia Pinto, destacando que os critérios de exigência não se aplicam só aos formandos mas, sobretudo, aos formadores. «Não é qualquer um que é formador do centro, especialmente em áreas técnicas fundamentais. Costumo dizer que é mais difícil entrar na bolsa de formadores do que entrar numa faculdade. Na faculdade é um processo administrativo, aqui não. Eles têm de provar que sabem e incorporam a nossa metodologia de dar formação», admitiu.

Embora lamente a escassez do orçamento – que tem travado as contratações e as progressões de carreira – e a falta de uma maior articulação com as associações e as instituições de ensino superior em Portugal, Sónia Pinto, acredita que, cinco anos depois da sua criação, o Modatex está no caminho certo para preparar o futuro do sector. «Olhamos o futuro com muita esperança.  O sector soube reinventar-se, está a crescer de uma forma sustentada e o centro está também a acompanhar essa evolução», afirmou. Os projetos passam pela contratação de técnicos qualificados, para «trazer sangue novo» e pela continuação do percurso internacional do centro de formação. «Temos de ir para fora de portas para também trazer novas ideias e o nosso sector, sendo exportador, temos de o acompanhar», concluiu.