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A revolução dos tecidos japoneses

Os tecidos japoneses são cada vez mais recorrentes nas coleções de marcas internacionais de primeira linha e os fornecedores nipónicos estão a ganhar quota de mercado aos produtores europeus e chineses – não só no denim.

Na mais recente semana de moda de Nova Iorque, dedicada ao outono-inverno 2017/2018, foram várias as marcas que incorporaram tecidos japoneses nas suas coleções, enquanto os fabricantes japoneses promoviam a qualidade dos seus têxteis junto dos participantes do certame.

A 10 de fevereiro, a marca nipónica Theatre Products apresentou uma coleção desenvolvida em parceria com a Nakaden Keori, fabricante de tecidos sediada em Ichinomiya, na província japonesa de Aichi.

O enquadramento conceptual da coleção partiu de uma viagem noturna e materializou-se num alinhamento de artigos confortáveis que poderiam ser facilmente transportados num pequeno saco de viagem.

A marca utilizou tecidos da Nakaden Keori para as camisas e calças de estética casual. Um tecido macio e resistente à ruga foi desenvolvido recorrendo às mais inovadoras técnicas de tecelagem. Outro tecido apresentava uma superfície com nervuras obtida através da mistura de algodão e fibras sintéticas, que conferiam elasticidade às peças. A Nakaden Keori, que produz malhas e tecidos laneiros e sintéticos, promoveu os seus produtos fornecendo amostras e informações aos potenciais compradores e jornalistas durante a semana de moda de Nova Iorque.

Em declarações ao Washington Post, Akira Takeuchi, designer da Theatre Products realçou, depois do desfile, que a Nakaden Keori foi capaz de dar resposta aos pedidos especiais da marca. Por seu lado, o vice-presidente da Nakaden Keori, Kimihiro Nakashima, afirmou que pretende que a qualidade dos tecidos da empresa seja «cada vez mais conhecida em todo o mundo com a ajuda dos designers de moda».

Também durante a semana de moda de Nova Iorque, a Calvin Klein e a Rag & Bone revelaram coleções com denim e outros tecidos japoneses. James Perse, marca sediada em Los Angeles, explorou materiais da empresa têxtil A-Girl’s, de Tóquio, para criar as suas t-shirts. A empresa começou a fornecer a James Perse depois de participar numa feira em Paris. «A textura das malhas foi muito apreciada», revelou Tomohiro Yamashita, vice-presidente da A-Girl’s.

Alguns fabricantes nipónicos têm ainda marcas próprias, que usam os mesmos tecidos premium fornecidos a reputadas marcas internacionais. A Sato Seni, fábrica com sede em Sagae, tem várias marcas próprias, como a M. & Kyoko. A marca tem pontos de venda em grandes armazéns e em outros espaços de retalho por todo o Japão e as suas malhas têm granjeado grande sucesso.

Já a Komatsu Seiren, de Nomi, na província de Ishikawa, também usa os tecidos que fornece aos designers europeus na marca própria, a Mittente. Os seus casacos são populares pela suavidade do material, bem como pelas suas propriedades à prova de água e de vento.

Em vez de confiarem em empresas para comercializar os seus tecidos no exterior, estes fabricantes têxteis japoneses tomaram a iniciativa de promover os seus produtos e, de acordo com os portais da especialidade, a investida tem dado frutos.