Depois de acumular milhas nas rotas que o levaram a Nova Iorque, Londres, Milão e Paris, o Portugal Fashion aterra no seu país de origem, entre amanhã e sábado, com novidades na bagagem. Mas logo descola novamente no voo doméstico Lisboa-Porto, para mostrar as coleções outono-inverno 2017/2018 dos designers emergentes e consagrados – sem esquecer que a tripulação do certame será ainda comandada pelos vários desfiles da indústria.
À 3.ª participação na ModaLisboa, a plataforma de cocriação Awaytomars contornou o formato tradicional de desfiles e surpreendeu com uma performance, na qual 13 artistas plásticos internacionais que escolheram Lisboa como residência trabalharam uma coleção de peças em cru, que foram gradualmente adquirindo cor. No final da mostra, o fundador Alfredo Oróbio antecipou os próximos passos, que incluem um ambicioso projeto sustentável.
Apesar do nervoso miudinho, Veríssimo Mustra estava 100% confiante em relação à coleção, o que lhe garantiu uma estreia marcante e lhe aguçou a vontade de reviver o vaivém da passerelle. Na mais recente edição da ModaLisboa, a Mustra foi uma das novidades do calendário, propondo alfaiataria masculina que deslumbrou, também, as mulheres presentes.
Nem só da passerelle vive a ModaLisboa. Prova disso, naquela que foi a sua 48.ª edição, o certame envolveu a comunidade num dos temas mais pertinentes da indústria: a sustentabilidade. Porque em “Boundless” não houve fronteiras e sabendo que a cadeia de aprovisionamento da moda é global, o sourcing ético foi outra das temáticas-chave das ações paralelas.
Aquém e além-fronteiras, o jovem designer tem vindo a arrebatar a crítica, que lhe endereça elogios – e prémios – sempre que uma das suas luxuosas coleções cruza a passerelle. Na ModaLisboa, David Ferreira celebrou a diversidade num alinhamento inspirado por referências culturais como o filme “Freaks” (1932), o livro “Freak Show” de Roben Bogdan ou o trabalho do fotógrafo Joel-Peter Witkin e enumerou as conquistas mais recentes.
A 48.ª edição não deu apenas o mote, deu o exemplo. Depois de 13 edições no Pátio da Galé, a ModaLisboa cumpriu um movimento migratório até ao CCB, que recebeu “Boundless”, tema agregador das propostas de nomes emergentes e consagrados. Sem fronteiras físicas ou de género e muito menos estéticas, o outono-inverno 2017/2018 esteve este fim-de-semana em cartaz.
Num dia em que as temperaturas subiram até aos 25º graus e o verão parecia estar a querer antecipar-se à primavera, a ModaLisboa introduziu as Fast Talks chamando a atenção para as alterações climáticas, antes de envolver a moda como parte do problema – e da solução. A conferência “Sustentabilidade na Moda: porquê e como?”, promovida pelo CENIT – Centro de Inteligência Têxtil, no CCB, contou com a intervenção de oradores, nacionais e internacionais, e convidou os presentes a alargarem horizontes e a abrirem guarda-roupas.
Entre o intemporal couro preto e as riscas, Paris decidiu iluminar o outono-inverno 2017/2018 e os metalizados cruzaram a passerelle da Cidade-luz. Do forte apelo cénico da Off-White – que convidou a comunidade moda internacional a perder-se numa floresta –, à inigualável criatividade de Karl Lagerfeld – que desta vez fez “descolar” a coleção da Chanel –, o calendário voltou a destacar-se pela teatralidade.
Arranca hoje a edição “Boundless” da ModaLisboa, que se estende até domingo, e traz consigo muitas novidades, a começar pela geografia. O CCB é o palco principal e recebe, já esta tarde, as Fast Talks. Na sexta-feira, a abertura da passerelle é entregue ao Sangue Novo e sábado e domingo ficam nas mãos de nomes como Filipe Faísca e Nuno Gama. À margem dos desfiles há ainda a Wonder Room e a estreia da iniciativa Global Fashion Exchange (GFX).
A H&M Studio desfila na semana de moda de Paris desde fevereiro de 2013. Porém, sempre se discutiu o que motivaria a retalhista de moda rápida a mostrar-se lado a lado com as casas de luxo na Cidade-luz: a marca não é francesa e o seu modelo de negócio direto ao consumidor não justifica a antecipação e a pressão do calendário. Entretanto, chegou o fenómeno do modelo ver agora/comprar agora.

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