Apesar do nervoso miudinho, Veríssimo Mustra estava 100% confiante em relação à coleção, o que lhe garantiu uma estreia marcante e lhe aguçou a vontade de reviver o vaivém da passerelle. Na mais recente edição da ModaLisboa, a Mustra foi uma das novidades do calendário, propondo alfaiataria masculina que deslumbrou, também, as mulheres presentes.
Nem só da passerelle vive a ModaLisboa. Prova disso, naquela que foi a sua 48.ª edição, o certame envolveu a comunidade num dos temas mais pertinentes da indústria: a sustentabilidade. Porque em “Boundless” não houve fronteiras e sabendo que a cadeia de aprovisionamento da moda é global, o sourcing ético foi outra das temáticas-chave das ações paralelas.
Aquém e além-fronteiras, o jovem designer tem vindo a arrebatar a crítica, que lhe endereça elogios – e prémios – sempre que uma das suas luxuosas coleções cruza a passerelle. Na ModaLisboa, David Ferreira celebrou a diversidade num alinhamento inspirado por referências culturais como o filme “Freaks” (1932), o livro “Freak Show” de Roben Bogdan ou o trabalho do fotógrafo Joel-Peter Witkin e enumerou as conquistas mais recentes.
A 48.ª edição não deu apenas o mote, deu o exemplo. Depois de 13 edições no Pátio da Galé, a ModaLisboa cumpriu um movimento migratório até ao CCB, que recebeu “Boundless”, tema agregador das propostas de nomes emergentes e consagrados. Sem fronteiras físicas ou de género e muito menos estéticas, o outono-inverno 2017/2018 esteve este fim-de-semana em cartaz.
Num dia em que as temperaturas subiram até aos 25º graus e o verão parecia estar a querer antecipar-se à primavera, a ModaLisboa introduziu as Fast Talks chamando a atenção para as alterações climáticas, antes de envolver a moda como parte do problema – e da solução. A conferência “Sustentabilidade na Moda: porquê e como?”, promovida pelo CENIT – Centro de Inteligência Têxtil, no CCB, contou com a intervenção de oradores, nacionais e internacionais, e convidou os presentes a alargarem horizontes e a abrirem guarda-roupas.
Entre o intemporal couro preto e as riscas, Paris decidiu iluminar o outono-inverno 2017/2018 e os metalizados cruzaram a passerelle da Cidade-luz. Do forte apelo cénico da Off-White – que convidou a comunidade moda internacional a perder-se numa floresta –, à inigualável criatividade de Karl Lagerfeld – que desta vez fez “descolar” a coleção da Chanel –, o calendário voltou a destacar-se pela teatralidade.
Arranca hoje a edição “Boundless” da ModaLisboa, que se estende até domingo, e traz consigo muitas novidades, a começar pela geografia. O CCB é o palco principal e recebe, já esta tarde, as Fast Talks. Na sexta-feira, a abertura da passerelle é entregue ao Sangue Novo e sábado e domingo ficam nas mãos de nomes como Filipe Faísca e Nuno Gama. À margem dos desfiles há ainda a Wonder Room e a estreia da iniciativa Global Fashion Exchange (GFX).
A H&M Studio desfila na semana de moda de Paris desde fevereiro de 2013. Porém, sempre se discutiu o que motivaria a retalhista de moda rápida a mostrar-se lado a lado com as casas de luxo na Cidade-luz: a marca não é francesa e o seu modelo de negócio direto ao consumidor não justifica a antecipação e a pressão do calendário. Entretanto, chegou o fenómeno do modelo ver agora/comprar agora.
Deverá uma feminista explorar a velha arte da sedução? Ou a aposta em peças de roupa sensuais faz dela um objeto sexual? De acordo com a mais recente coleção de pronto-a-vestir feminino da Prada, apresentada em Milão no passado dia 23 de fevereiro, o feminismo e a sensualidade não se excluem e podem caminhar lado a lado.
Agora que, em Paris, a comunidade moda internacional se começa a despedir da azáfama dos desfiles e apresentações das coleções dedicadas ao outono-inverno 2017/2018, é tempo de rever Milão e as propostas de nomes como Gucci, Versace, Fendi e Prada ou, fora do calendário oficial, da Dolce & Gabbana e de selecionar as tendências-chave da passerelle milanesa.

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