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Clothius avança no seamless

O vestuário seamless é a mais recente valência da Clothius, que está a investir cerca de 5 milhões de euros em novas instalações e equipamentos para complementar a sua oferta, que inclui não só peças interiores mas também uma vertente mais moda para responder à procura por artigos que se enquadram no conceito de athleisure.

Com produção de malha desde 2014, no ano passado a Clothius decidiu avançar para a produção de vestuário seamless. «Vimos que há algumas lacunas no mercado», afirmou o diretor de produção, Jorge Vale, ao Jornal Têxtil (edição de março 2017). Com uma equipa experiente na área, os primeiros produtos já foram produzidos e estão a ser apresentados ao mercado. «Conseguimos fazer um bom produto e temos algumas ideias para explorar», revelou Jorge Vale. Os avanços estão a ser feitos com pequenos passos, até porque, revelou, «queremos entrar bem. Não vale a pena estarmos a fazer as coisas à pressa, porque isso fica logo marcado como um mau exemplo. Mais vale fechar o ciclo todo, testar tudo muito bem».

O parque de máquinas conta, atualmente, com 11 equipamentos, um número que continuará em crescimento. «Daqui a dois meses e meio já teremos mais cinco de outro modelo», adiantou o diretor de produção. «Será um parque de 22 máquinas de seamless, que dará mais ou menos uma produção de 80 a 100 mil peças, dependendo do modelo. Vamos tentar complementar todos os modelos de seamless para conseguirmos ser versáteis e não focar num único tipo de modelo. Depois vamos crescer consoante a procura em cada um», explicou.

A primeira coleção, desenvolvida para a estreia na Ispo Munich (ver Um mundo de inovações), espelha esta busca pela versatilidade, com peças que combinam a funcionalidade exigida pelo desporto com a vertente moda, incluindo novidades como mesclas, poliésteres estampados, misturas poliéster/lurex e lãs. «Queremos fazer alguma coisa para o mercado fashion, passar além daquele seamless justo ao corpo», destacou Jorge Vale.

Com a chegada de mais máquinas e a mudança para as novas instalações construídas de raiz – prevista para o último trimestre de 2017 –, a equipa, atualmente composta por cerca de 10 pessoas, poderá igualmente duplicar. «Algumas pessoas estão, neste momento, à experiência e com o final do ano e a aquisição do resto das máquinas, chegaremos às 15 a 20 pessoas», apontou o diretor de produção.

Nesta primeira fase, a empresa está focada no desenvolvimento de artigos e na produção para terceiros, mas no horizonte poderá estar a criação de uma marca própria, sob o nome Clothius ou outro. «A curto prazo os objetivos são mesmo este início de produção e a angariação dos clientes. Depois sim, pensaremos mais seriamente na marca própria e na venda online», referiu Jorge Vale, acrescentando que «a marca é um passo complicado. Há marcas a nascer todos os dias, poucas são as que ficam, por isso tem que ser muito bem pensada e ainda não chegamos aí».

Inglaterra, Alemanha, EUA e França fazem parte dos mercados-alvo da Clothius, uma vez que, segundo o diretor de produção, «são os países que estão mais desenvolvidos a nível do seamless». Mas os planos são para inovar. «Ainda há muito a explorar em algumas situações e alguns nichos, mesmo dentro do desporto – está tudo muito focado no running e no trail… Há alguns desportos que não estão tão explorados, para os quais estamos a tentar fazer produtos», sublinhou.

O projeto de seamless na Clothius, que implica um investimento de cerca de 5 milhões de euros, apoiado pelo Portugal 2020, tem ainda como objetivo o desenvolvimento de produtos técnicos para desporto com fios condutores para monitorização e comunicação.