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De olhos postos no Islão

O Euromonitor estima que os muçulmanos venham a representar mais de um quarto da população mundial até 2030. Já de acordo com a The Economist, o mercado islâmico valia mais de 3,6 biliões de dólares (aproximadamente 3,4 biliões de euros) em 2013 e as previsões apontam para que este alcance os 5 biliões de dólares até 2020. Considerando os números, é fácil perceber o particular apelo de tudo o que esteja relacionado com esta população.

A população muçulmana global tem gostos e interesses diversos. Tem, também, um conjunto de exigências religiosas que acabam por orientar as suas compras.

Os princípios da lei islâmica condicionam as decisões de compra dos muçulmanos em muitas áreas, da alimentação ao vestuário, de investimentos a seguros, mas alguns destes requisitos nem sempre são atendidos pelo mercado global.

Embora haja variabilidade no quão estritamente se adere aos sistemas, muitos muçulmanos procuram garantir que, como consumidores, apenas compram o que é considerado halal (permissível) e não haram (proibido).

No entanto, a oferta não está a acompanhar devidamente a procura por produtos islâmicos. Em segmentos como a alimentação e a moda, há, por isso, uma enorme oportunidade de crescimento alavancada pela resposta às necessidades da população islâmica global.

Comida halal

Prevê-se que o mercado de alimentação halal alcance os 1,6 biliões de dólares até 2018. Este sector deverá também crescer mais rapidamente do que o mercado de alimentos convencionais e vir a exceder uma quota de 17% do mercado mundial de alimentação até 2018.

A alimentação halal significa que os muçulmanos só podem consumir carne que tenha sido abatida de acordo com determinados requisitos. Os procedimentos halal incluem requisitos como: a faca do talhante deve ser afiada, o pescoço do animal não deve ser partido ou completamente cortado, pelo menos três das quatro veias no pescoço devem ser cortadas durante o processo de abate e não deve haver contaminação com carne não halal. Isto vai além da compra de carne abatida corretamente. Significa também que algo aparentemente inócuo como as gomas de gelatina não possam ser ingeridas se a gelatina usada na goma for feita a partir de produtos animais não halal.

Não obstante, o apelo destes produtos é potencialmente mais amplo. Devido à perceção de que o alimento halal está sujeito a controlos mais rigorosos, o alimento halal é também preferido por consumidores não-muçulmanos.

Por exemplo, os animais abatidos de forma halal passam por dois controlos sanitários em vez de um: o controlo sanitário regulamentar, habitual no país de origem, bem como um controlo feito pela autoridade de certificação halal. O método de abate, no qual o sangue é drenado do animal, também é considerado mais saudável.

Moda Islâmica

De acordo com um relatório da Reuters, cerca de 266 mil milhões de dólares foram gastos em vestuário e calçado por consumidores muçulmanos em 2013. Isso equivale a cerca de 12% do total de gastos globais em vestuário (um aumento de 10% a partir de 2012). Mais do que isso, o mercado de moda muçulmana deverá representar mais de 14% do mercado global de moda até 2019.

Ainda que o comércio eletrónico neste segmento seja relativamente pequeno, está também a crescer mais rapidamente do que as vendas online de moda convencional, expandindo-se a uma taxa de 25,4% em 2013, em comparação com os 5,8% de crescimento no comércio eletrónico convencional relacionado com a moda.

A demografia desempenha ainda um importante papel neste mercado em expansão. Enquanto a idade média dos cidadãos é de cerca de 30 anos na maioria dos países muçulmanos, na Europa e nos EUA, a idade média da população ronda os 44 anos. Com o poder de compra dos jovens consumidores em crescendo, o mercado de bens muçulmanos deverá prosperar nos próximos anos.

No contexto da lei islâmica, as exigências para o vestuário são rigorosas, mas não universais. As mulheres muçulmanas usam o colorido salwar kameez na Índia, os abayas no Dubai, as camisas e os casacos longos na Turquia e as roupas ocidentais na África do Sul, EUA e Reino Unido – com algumas adaptações.

Há alguns anos, as opções eram limitadas mas, agora, as casas de luxo estão a concentrar as suas atenções neste segmento. Por exemplo, a Dolce & Gabbana lançou uma linha de abayas e hijabs (ver Moda em liberdade) e, em países como Dubai, a gama de abayas de luxo é surpreendente; com cristais Swarovsky e numa ampla gama de tecidos, as vestes tradicionais deixaram de se limitar ao preto. Louella, a marca de moda fundada por Ibtihaj Muhammad, é uma das novas e excitantes empresas que operam neste espaço.

Há, também, potencial para o crescimento na indústria da cosmética, onde a comida e a moda colidem. Considerando que alguns batons contêm gordura animal, algumas muçulmanas têm vindo a aderir aos produtores vegan, porém, mais uma vez, esta questão limita a escolha dos produtos de beleza. A indústria de cosméticos halal é, por isso, um mercado praticamente intacto.