Início Notícias Mercados

EUA põem TPP em pausa

O acordo de comércio livre entre 12 nações da região do Pacífico sofreu um duro revés com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. O TPP, que estava a ser defendido pela Administração Obama, ficou retido no Congresso, com Democratas e Republicanos a recusarem avançar antes da tomada de posse.

Os líderes do Partido Democrata e do Partido Republicano no Congresso avisaram a Casa Branca, na passada sexta-feira, 11 de novembro, que não vão avançar com a aprovação da Parceria Transpacífico (conhecido como TPP na sigla original) depois das eleições. O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, do Partido Republicano, e o senador Chuck Schumer, do Partido Democrata, recusaram levar o TPP a votação.

Na Câmara dos Representantes, o republicano Kevin Brady, presidente do comité que supervisiona o comércio, afirmou, numa declaração no dia 9 de novembro, que «este importante acordo não está pronto a ser considerado durante este período e vai manter-se em pausa até o Presidente Trump decidir o caminho a seguir».

Donald Trump fez da oposição ao TPP uma parte central da sua campanha, tendo-o classificado de «desastre» e «violação do nosso país». Nas suas intervenções, Trump afirmou mesmo que iria acabar com o TPP, renegociar o Nafta (o acordo de comércio livre da América do Norte, com o Canadá e o México, assinado há 22 anos) e que iria adotar uma posição muito mais incisiva com a China.

O acordo TPP, que foi negociado durante mais de cinco anos e assinado em outubro de 2015 (ver TPP está em marcha) tem como objetivo reduzir as barreiras comerciais em algumas das economias em mais rápido crescimento da Ásia e melhorar os laços com os aliados dos EUA na região (ver TPP catalisa exportações dos EUA), numa tentativa de contrariar a crescente influência da China (ver Detalhes do TPP).

Matthew McAlvanah, porta-voz do representante do comércio dos EUA, Mike Froman, afirmou em comunicado, citado pela Reuters, que «trabalhamos de perto com o Congresso para resolver questões pendentes e estamos prontos a avançar, mas este é um processo legislativo e cabe aos líderes do Congresso decidir se e quando avança».

A própria Casa Branca rendeu-se. «Em termos do acordo TPP em si, o líder McConnell falou e é algo que ele vai trabalhar com o presidente eleito para decidir o caminho a seguir em termos de acordos comerciais no futuro», afirmou Wally Adeyemo, vice conselheiro nacional de segurança para assuntos económicos internacionais. «Mas continuamos a pensar que este tipo de acordo faz sentido, simplesmente porque países como a China não vão deixar de trabalhar em acordos regionais», acrescentou.

Os responsáveis chineses que estão a preparar a cimeira de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (que decorre nos próximos dias, no Peru), aliás, já indicaram que vão tentar criar acordos comerciais alternativos no Pacífico que provavelmente não irão incluir os EUA, segundo noticia o The Wall Street Journal.

Responsáveis dos EUA há muito que avisaram que a não aprovação do TPP, que não inclui a China, iria ajudar Pequim a tomar a liderança com outro enquadramento, a Parceria Regional Económica Alargada, que pode ser concluída nos próximos meses e pode diminuir ou mesmo eliminar taxas entre alguns países do Pacífico mas não os EUA. Nenhuma dessas propostas inclui as salvaguardas do TPP para a propriedade intelectual, ambiente, trabalho ou outras prioridades nos EUA, afirmam responsáveis da Administração Obama.

A eleição para a Presidência dos EUA está também a afetar os laços com a Europa (ver A Europa depois da vitória de Trump). Segundo o The Wall Street Journal, os principais responsáveis do comércio em Bruxelas afirmaram já que a eleição de Trump vai adiar a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) com a União Europeia.