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EUA saltam fora do TPP

Nos primeiros dias em funções, Donald Trump cumpriu uma das suas promessas eleitorais e retirou oficialmente os EUA do acordo de Parceria Transpacífico (TPP), distanciando a América dos aliados asiáticos, numa altura em que a influência chinesa aumenta na região.

Cumprindo a promessa eleitoral de pôr fim ao envolvimento americano no pacto de 2015, Donald Trump assinou uma ordem executiva na Sala Oval que retira os EUA do acordo que envolve 12 países. «Uma coisa fantástica para o trabalhador americano», afirmou, enquanto assinava o documento no seu terceiro dia à frente dos destinos dos EUA. O republicano afirma que o acordo teria prejudicado a produção nos EUA.

O acordo, apoiado fortemente pelos empresários americanos, foi negociado pelo ex-presidente Barack Obama, mas nunca foi provado pelo Congresso. O TPP foi o principal pilar económico da política da Administração Obama para contrabalançar o poder da China.

Trump levantou preocupações junto do Japão e de outras economias da Ásia-Pacífico com esta oposição ao TPP e a sua campanha para exigir aos aliados americanos que paguem mais pela sua segurança.

Harry Kazianis, diretor de estudos de defesa do think-tank Center for the National Interest afirmou à Reuters que Trump tem agora de encontrar uma forma alternativa de acalmar os aliados na Ásia. «Isso pode incluir múltiplos acordos comerciais bilaterais. Japão, Taiwan e Vietname devem ser abordados primeiro, já que são essenciais para qualquer nova estratégia na Ásia que o Presidente Trump aplique», explicou.

O novo presidente também se reuniu com uma dúzia de produtores americanos na Casa Branca na passada segunda-feira, 23 de janeiro, aos quais prometeu reduzir a regulamentação e os impostos sobre as empresas, mas avisou-os de que tomaria medidas em relação a acordos comerciais que considerasse injustos.

Donald Trump, que assumiu a presidência na sexta-feira, 20 de janeiro, prometeu trazer de volta as unidades produtivas para os EUA – uma questão que o ajudou a vencer as eleições de 8 de novembro. Até agora, Trump não se coibiu que chamar a atenção das empresas que acredita que deviam trazer de volta a produção para território americano.

O novo presidente dos EUA assegurou que os negócios que escolham deslocar as fábricas para fora do país irão pagar o preço. «Vamos impor uma grande taxa de fronteira no produto quando entra no país», afirmou.

Para já, Donald Trump pediu a um grupo de CEOs de empresas como a Ford, Dell Technologies, Tesla e outras para fazer recomendações em 30 dias para estimular a produção, revelou o CEO da Dow Chemicals, Andrew Liveris, aos jornalistas. Liveris referiu que os CEOs discutiram as taxas de fronteira «bastante tempo» com Trump, explicando «o tipo de indústria que pode beneficiar ou sair prejudicada com isso. Eu acredito no presidente nisto. Ele não vai fazer nada para prejudicar a competitividade. Ele vai, na verdade, tornar-nos todos mais competitivos».

Na parte da reunião a que assistiram os jornalistas, Donald Trump não adiantou promenores sobre como funcionará esta taxa de fronteira. O dólar americano desvalorizou para o valor mais baixo em sete semanas face a um grupo de moedas e os mercados bolsitas caíram devido ao receio dos investidores com a retórica protecionista de Trump. «Uma empresa que quer despedir todas as pessoas nos EUA e construir uma fábrica noutro local, e depois pensa que esse produto vai simplesmente passar na fronteira para os EUA – isso não vai acontecer», garantiu.

O presidente disse ainda aos CEOs que gostaria de reduzir os impostos sobre as empresas para 15% a 20%, em comparação com os níveis atuais de 35% – uma promessa que vai exigir a cooperação do Congresso, liderado pelos republicanos. Mas afirmou que os líderes das empresas lhe disseram que reduzir a regulamentação era ainda mais importante. «Pensamos que podemos reduzir a regulamentação em 75%. Talvez mais», explicou Trump aos CEOs. «Quando quiserem alargar a empresa ou quando o Mark quiser vir e construir uma unidade enorme ou quando a Dell quiser vir e fazer algo monstruoso e especial – vocês vão ter a nossa aprovação muito rapidamente», garantiu, referindo-se a Mark Fields, CEO da Ford, que estava sentado à mesa na sala Roosevelt.

Fields revelou mesmo sentir-se encorajado com o tom da reunião. «Sei que saí com muita confiança de que o presidente está muito, muito empenhado em assegurar que a economia dos EUA vai ser muito forte e tem políticas – fiscais, regulamentares e comerciais – para estimular isso», afirmou.

Entre ter ganho a eleição presidencial em novembro e assumir o cargo, Donald Trump reuniu-se com vários CEOs em Nova Iorque, incluindo empresários da área da defesa, tecnologia e outros sectores. Também se encontrou com líderes de vários sindicatos, incluindo a AFL-CIO.