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Fios especiais no caminho da Somelos

Com quase 70 anos de atividade, a Somelos Mix é uma referência mundial na produção de fios. Liderada por Paulo Melo, que atualmente acumula ainda a presidência da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, a fiação está a manter a tónica em produções especiais para se consolidar no mercado internacional.

Em 1996, a empresa reorganizou a produção e voltou-se para fios especiais em detrimento das grandes produções. «Começámos a fazer coleções, a desenvolver novos produtos, a promover a investigação, uma componente de valor acrescentado nos produtos», explicou Paulo Melo ao Jornal Têxtil. As três fiações resultantes acabaram por se fundir numa só – a Somelos Mix – que conta com 180 trabalhadores, 33 mil fusos e uma capacidade anual de 1.200 toneladas.

«O que procuramos é sempre incorporar o máximo de valor acrescentado em cada um dos fios que produzimos e que sejam uma referência a nível de moda, a nível de tendências», afirmou Paulo Melo. «Fomos das primeiras fiações a trabalhar com lã, caxemira, seda. Ninguém fazia isso, com misturas binárias, ternárias, quaternárias. Hoje somos uma referência e há muito pouca gente que o faz na Europa. É preciso conhecimento, experiência, investigação. Portanto, estamos a caminhar no sentido de uma evolução do produto muito forte e é isso que nos interessa. As nossas coleções são uma referência mundial, não há comparação», destacou.

Por isso, «hoje [a empresa] tem todas as condições para estar no mercado europeu e não só. O nosso melhor mercado é a Europa. 60% do volume de negócios advém de exportação direta», revelou o presidente da Somelos Mix, que exporta para cerca de 18 países. Itália, França, Espanha, Suíça, Áustria e Alemanha são os principais mercados europeus. «O mercado italiano é um mercado de referência nos últimos 20 anos», reconheceu Paulo Melo. Mas a empresa vende também para o Japão, China, Hong Kong, Coreia do Sul e EUA. «Posso dizer que o mercado fora da Europa representou 10% das nossas vendas em 2015», indicou. «Penso que em 2016 os números serão semelhantes», adiantou.

Com um volume de vendas que em 2016 terá ficado acima dos 11 milhões de euros, os planos de Paulo Melo – nascido e criado no meio dos fios e tecidos da Sociedade António Teixeira de Melo & Filhos, que daria origem à Somelos de hoje – passam por «chegar um dia àquilo que tínhamos no passado com outro tipo de negócio. Gostava de pôr a meta na ordem dos 15 milhões de euros nos próximos três a quatro anos», confessou ao Jornal Têxtil, num plano que passa por «aumentar os clientes, reforçar os produtos, continuar com a inovação e investigação, manter um parque industrial com a maior flexibilidade possível», enumerou.

Ao desafio industrial – aquele que sempre cativou o economista –, Paulo Melo juntou mais recentemente a liderança da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. «Eu vivo da Somelos e para a Somelos, um negócio familiar que tenho a obrigação de fazer crescer, rentabilizá-lo e, se possível, torná-lo eterno», admitiu Paulo Melo. «Mas sempre gostei de participar na ATP, de contribuir», sublinhou, acrescentando que «para manter uma certa continuidade no rumo que a associação vinha a tomar encarei isto como uma missão». Para este primeiro mandato de três anos, os planos passam por «defender a indústria, defender as empresas, defender os empresários. Tornar a imagem do sector mais atrativa, temos que promovê-la de outra forma», acredita. Pelo caminho, defende ainda que o sector deve «falar a uma só voz», pelo que é favorável a «uma associação forte, que represente bem os nossos interesses e acho que há condições para isso», concluiu.

Uma entrevista para ler na íntegra na edição de fevereiro de 2017 do Jornal Têxtil (ver Os senhores dos anéis).