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Lectra alinha-se pela Indústria 4.0

Foi no coração do seu centro tecnológico em Bordéus-Cestas que a Lectra revelou a estratégia que vai nortear o seu desenvolvimento nos próximos três anos. A Indústria 4.0 está em foco, juntamente com a manutenção da produção em França – um princípio do qual a multinacional de origem francesa não abdica.

Perante uma plateia de jornalistas provenientes de todos os pontos do globo – da China ao Brasil, passando pela Colômbia, México, EUA e Portugal, com a presença do Portugal Têxtil –, Daniel Harari desvendou na passada sexta-feira, 7 de abril, aquela que será a estratégia da multinacional para o período entre 2017 e 2019. «Queremos levar os nossos clientes para o próximo nível», afirmou o CEO da Lectra.

Depois de um período menos positivo, provocado pela crise mundial de 2008, a empresa decidiu, desde 2009, reforçar o investimento em inovação e preparar o futuro, resultando em bons números no período entre 2014 e 2016. No ano passado, a Lectra registou um novo recorde, com um volume de negócios de 260,2 milhões de euros (+10%) e um lucro líquido de 26,7 milhões de euros (+14%). Um crescimento que Daniel Harari atribui também ao foco na produção da sua tecnologia em França. «Em 2015, a maioria dos nossos principais concorrentes decidiu mudar a produção para a China. Nós decidimos não o fazer, apesar de poder significar uma redução de custos de 28%», explicou o CEO. «Decidimos mudar de estratégia, aumentar os nossos preços 30%, manter a produção em França e com isso ganhamos quota de mercado», revelou.

Todas as máquinas – dos sistemas de corte Vector (para têxteis) e Versalis (peles), ao mais recente desenvolvimento para a produção de airbags, a FocusQuantum – são fabricadas no centro tecnológico em Cestas, com 80% dos componentes a terem também como origem fornecedores franceses, garantiu, ao Portugal Têxtil, o diretor industrial Eric Lespinasse, que acompanhou os jornalistas numa visita pormenorizada às instalações, onde sublinhou, «o valor acrescentado está no know-how das pessoas». Cerca de 55 pessoas trabalham na parte produtiva, fabricando 350 sistemas de corte Vector por ano, 30 Versalis (para o corte de peles) e 10 FocusQuantum – equipamentos que são testados a 100% antes de serem enviados um pouco para todo o mundo.

O desenvolvimento é igualmente realizado dentro de portas, com a empresa a ter alargado recentemente as suas instalações, com a criação de um pavilhão novo para atividades de I&D de hardware.

Aliás, parte da estratégia da Lectra passa também por aumentar o investimento em I&D, que em 2016 ascendeu a 22,6 milhões de euros, anunciou Daniel Harari. «Vamos investir em 2019 mais 50% do que em 2016», destacou, com este investimento na inovação a atingir 10% do volume de negócios da empresa.

Além da integração da Internet das Coisas, onde leva já 10 anos de experiência, referiu o CEO, e dos princípios da Indústria 4.0 na sua oferta, com a combinação das máquinas, do software – que integra CAD e PLM – e serviços, a empresa está a lançar a sua oferta Software as a Service (SaaS). «A vantagem é que se pode pagar apenas aquilo que se usa», apontou o CEO da Lectra. Além disso, acredita, «a cloud oferece muitas oportunidades», citando a automação de tarefas realizadas até agora manualmente, o aumento da colaboração entre as equipas envolvidas no produto e o reforço da integração industrial com os subcontratados.

Lectra_10abril2017

Mas os projetos vão mais longe e 2017 é um ano de testes, em parceria com os clientes da multinacional. «Estamos a desenvolver novas ofertas completamente alinhadas com a Indústria 4.0», adiantou Daniel Harari. «Em 2018 teremos o lançamento comercial e em 2019 iremos melhorar ainda mais a oferta», concluiu o CEO da Lectra.