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Li & Fung prepara revolução digital

Anteveem-se grandes mudanças na Li & Fung, depois do lucro líquido do primeiro semestre da gigante internacional do sourcing de vestuário ter sido duramente atingido, com uma queda de 50%. Este período de negociações é já apresentado como o mais difícil desde a crise de 2008.

Apesar da má performance, os ganhos bateram as expectativas dos analistas e a empresa com sede em Hong Kong anunciou, entretanto, um ambicioso plano para os próximos três anos, que se concentrará na «velocidade, inovação e digitalização de toda a cadeia de aprovisionamento», explica o WGSN.

As empresas de comércio eletrónico estão a procurar que as marcas próprias alavanquem as suas plataformas, adiantou a Li & Fung em comunicado. «Atualmente, estamos a trabalhar com pelo menos 3 mil empresas de comércio eletrónico. Estão todas voltadas para as marcas próprias», refere o presidente-executivo Spencer Fung.

Fung acrescentou que é nas marcas próprias que podem ser conseguidas melhores margens. Mais importante, esta estratégia funciona perfeitamente com canais online alimentados pela ciência de dados. «[Estas empresas] são tão sofisticadas em análise de dados que sabem quem vai comprar o quê no minuto seguinte», afirmou o CEO, sugerindo que tal informação ajuda a que as empresas de comércio eletrónico possam oferecer marcas adaptadas ao gosto do consumidor.

É a capacidade de promover marcas próprias ao lado das grandes marcas que permite que os retalhistas online reforcem o posicionamento das suas insígnias, a custos muito mais baixos. «Com a venda de outras marcas, [as empresas de comércio eletrónico] não conseguem uma boa margem. Estão a receber uma percentagem das vendas», indicou.

 

A fraqueza do mercado

A Li & Fung justificou os seus problemas comerciais atuais com a deflação de preços e com a concorrência feroz no mercado norte-americano, ao mesmo tempo que a desvalorização moeda chinesa continuou a atingir o seu negócio doméstico.

Em 2015, cerca de 62% das vendas da Li & Fung foram fechadas nos EUA e 16,5% aconteceram dentro do continente europeu.

O colosso de Hong Kong descreveu o ambiente de retalho global como «permanentemente promocional», com muitos jogadores focados em limpar o excesso de inventário das estações anteriores. Estes retalhistas tornaram-se mais cautelosos no que às novas encomendas diz respeito, afetando a performance da Li & Fung. A situação da empresa foi agravada por taxas de transporte globais mais baixas e taxas de câmbio voláteis.

A empresa informou que o lucro líquido caiu para 72 milhões de dólares (aproximadamente 64,5 milhões de euros) entre janeiro a junho, em comparação com 149 milhões de dólares do mesmo período do ano passado. Os analistas previam um lucro líquido de 68 milhões de dólares.

A Li & Fung, que fornece gigantes de retalho como o Wal-Mart e a Kohl’s Corp, deu também conta de que o lucro operacional caiu 14,2%, para 156 milhões de dólares.

A receita desceu mais de 6%, para 8,07 mil milhões de dólares, relativamente aos 8,63 mil milhões do ano passado.

«Os primeiros seis meses do ano foram o período mais difícil desde a crise financeira mundial em 2008», apontou Spencer Fung. «Espera-se que a tendência continue no segundo semestre e que a quantidade de encomendas se mantenha nos níveis no primeiro semestre…vamos concentrar-nos nos nossos principais clientes», acrescentou o presidente-executivo.

 

Aprovisionamento sustentável

Como parte do seu compromisso com um aprovisionamento responsável, a Li & Fung juntou-se recentemente à Foreign Trade Association (FTA), tornando-se num dos participantes da Business Social Compliance Initiative (BSCI), que visa ajudar a melhorar as condições de trabalho em fábricas à volta do mundo.

A FTA, com sede em Bruxelas, é uma rede que ajuda as empresas a conseguirem incrementos de sustentabilidade nas suas cadeias de aprovisionamento internacionais.

Como parte do seu compromisso com a BSCI, explica o portal Just-style.com, a Li & Fung vai beneficiar de auditorias em toda a sua cadeia de aprovisionamento, atividades de formação e de diálogo com as partes interessadas.

A empresa, que tem um valor de mercado de 4,3 mil milhões de dólares, já havia anunciado em março que esperava que a pressão deflacionária se agravasse este ano e que estava preparada para uma quebra no volume das encomendas.

No entanto, Fung não deixou de sublinhar que o plano de 2014/16 ainda está em curso. O próximo plano de três anos será anunciado no início de 2017.

 

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