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O ano do galo

O arranque oficial do Ano do Galo no zodíaco chinês acontece a 28 de janeiro e, como é tradição, já muitas foram as marcas internacionais que incluíram na sua oferta propostas alusivas. Todavia, os jovens consumidores chineses mostram-se cansados com a obsessão dos designers pelo animal, reclamando alternativas mais autênticas e verdadeiramente representativas da sua cultura.

Considerando que esta é uma das épocas mais lucrativas do ano para as marcas de luxo atingirem os consumidores chineses – uma das forças mais relevantes no consumo de luxo global –, os itens alusivos ao Ano do Galo podem ser encontrados em muitas montras, mas não estão livres de críticas, revela o The Independent.

Muitos millennials consideram as sugestões esteticamente ultrapassadas.

Em vez de elementos em vermelho e amarelo e com a figura do animal, este segmento privilegia representações mais autênticas e modernas da cultura chinesa.

No último desfile da Victoria’s Secret, por exemplo, quatro modelos chinesas integraram, pela primeira vez, o clã de “Anjos” oficiais. Ainda que a investida tenha sido popular, a marca de lingerie decidiu alinhar supermodelos com motivos de dragões na respetiva passerelle – Adriana Lima calçou botas amarelas e Kendall Jenner carregou asas fénix azuis – e rapidamente foi alvo de críticas online.

«Nem os corpos mais bonitos do mundo vão salvar estas roupas rústicas e com temas chineses ultrapassados», escreveu à data uma utilizadora na plataforma Sina Weibo, o equivalente do país à rede social Twitter.

Da bracelete de galo da Dior às propostas vermelho e dourado da Calvin Klein, os produtos luxuosos embebidos no tema estão a deixar os consumidores chineses desapontados.

Referindo-se à mochila com um galo bordado da MCM, um outro cibernauta escreveu que «o vermelho, o dourado e os signos do zodíaco são símbolos do Ano Novo Chinês, mas por que motivo acreditam as marcas que queremos carregar uma bolsa com um animal do zodíaco todo o ano?».

Outras ofertas incluem os cosméticos da gigante Estée Lauder, que colocou um galo dourado na sua edição limitada de pó compacto, enquanto a Dolce & Gabbana propôs um casaco com um galo em lantejoulas por 1.450 libras (aproximadamente 1.665 euros), disponibilizando ainda o modelo na linha de criança.

Os analistas têm vindo a alertar para uma maior sofisticação e exigência no atual mercado chinês (ver China de olhos postos no futuro), por isso a capacidade das marcas de luxo integrarem de forma elegante e genuína os elementos chineses nos seus designs é um importante fator a considerar, como o é a opinião dos utilizadores locais nas redes sociais (ver Os antagonismos da China).