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O apocalipse do retalho

Segundo vários analistas, será apenas um cavaleiro a anunciar este apocalipse que tem vindo a mudar a moda e os códigos de vestuário norte-americanos – o athleisure. Os tecidos confortáveis e tecnológicos, bem como os designs elegantes mas desportivo, têm vindo a mudar a face do retalho e a ditar a morte de alguns jogadores incapazes de se adaptarem às novas regras.

As vendas de activewear nos EUA alcançaram os 45,9 mil milhões de dólares (aproximadamente 43,1 mil milhões de euros) em 2016, de acordo com dados do NPD Group. Os números representam um aumento de 11% em relação ao ano anterior, superando o crescimento do sector de vestuário como um todo.

Não obstante, a ascensão do athleisure como macrotendência dominante tem implicações significativas na restante indústria de vestuário. Os consumidores estão a optar por se afastar dos estilos tradicionais e a vestir-se segundo um estilo prático e as marcas de moda e retalhistas que tardaram a subir a bordo do activewear enfrentam dificuldades.

Isso significa que as marcas de moda tradicionais têm cada vez menos influência naquilo que os norte-americanos estão a vestir. A moda está a esmorecer e o athleisure a prosperar.

O athleisure veio para ficar

«O athleisure é o novo casual», revela Deirdre Clemente, professora de história da universidade de Nevada, à Business Insider.

A macrotendência que dominou as últimas estações sagrou-se vencedora ao combinar as duas tendências que sempre pesaram na roupa casual americana – durabilidade e conforto – de uma forma versátil. «Honestamente, não acho que o athleisure vá desaparecer», afirma Clemente. «Só vai ficar maior e mais acessível e ser cada vez mais aceitável em diferentes ambientes».

Uma flexibilização geral dos códigos de vestuário permitiu que as peças de activewear estejam agora a ser usadas com maior frequência –, o que representa um sério desafio para as marcas e retalhistas que avaliaram o athleisure como uma tendência efémera, optando por não adaptar a sua oferta.

Espera-se que mais de 3.500 lojas fechem as suas portas nos EUA este ano, segundo Kate Taylor, da Business Insider. As visitas aos shoppings caíram 50% entre 2010 e 2013, segundo a empresa de pesquisa imobiliária Cushman & Wakefield.

Alguns dos espaços encerrados são dos retalhistas mais icónicos dos EUA, como a Macy’s, Sears e Payless – cada um destes grandes armazéns vai fechar dezenas de espaços em 2017. Em paralelo, com o tráfego dos centros comerciais em declínio, o comércio eletrónico assume-se como uma ameaça ainda maior.

A chegada do aluguer

À medida que os hábitos de compra mudam, os consumidores gastam cada vez menos em vestuário formal. No entanto, os eventos mais importantes ainda exigem, por vezes, peças formais e, por isso, as plataformas de aluguer de roupa estão em crescendo.

Nos EUA, uma nova safra de empresas está a mudar a paisagem e o estigma em torno do vestuário alugado. Com foco na qualidade do serviço e nas propostas de luxo, empresas como a Rent the Runway e a The Black Tux estão a levar os consumidores a evitar a compra de smokings e vestidos de cocktail.

O fim dos desfiles

À medida que as redes sociais assumem um peso crescente na forma como as marcas comunicam com os consumidores, algumas empresas estão a olhar para o desfile de moda como um investimento desnecessário.

Os retalhistas de moda rápida representam também um desafio adicional para as marcas de luxo, considerando que nomes como a Zara, Mango e H&M disponibilizam imediatamente os looks desfilados nas passerelles, oferecendo-os aos consumidores a um preço muito mais reduzido.

Por isso, muitas marcas estão a optar por reduzir o número de desfiles, por outras alternativas à passerelle ou mesmo a desistir dos desfiles.