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Pedrosa & Rodrigues prepara o futuro

A pensar na continuidade, a Pedrosa & Rodrigues tem um projeto interno de formação para transmitir o know-how e a cultura da empresa às novas técnicas de confeção. Uma aposta que se junta à estratégia de diversificação de mercados e clientes que tem garantido um crescimento a dois dígitos nos últimos anos.

Fundada em 1982 por Sabina Pedrosa e Casimiro Rodrigues, o segredo do sucesso da empresa familiar reside, acima de tudo, no serviço, funcionando como um atelier industrial onde cada um dos cerca de 80 clientes de 13 mercados distintos encontra soluções à medida. «Trabalhamos com um segmento médio-alto. Este segmento implica quase sempre séries de produção baixas. Estamos habituados a trabalhar com poucas quantidades, o que exige uma capacidade muito maior de gestão do processo», explicou, ao Jornal Têxtil, Miguel Pedrosa Rodrigues, administrador da empresa e a segunda geração, juntamente com os irmãos Ana Patrícia e David, envolvida no negócio da família. «Temos clientes diretos, que são uma grande parte das nossas vendas. Marcas como a Calvin Klein literalmente vêm cá, dizem-nos o que pretendem e nós ajudamos a definir o produto e entregamos», afirmou na entrevista publicada na edição de março do JT (ver Vestuário dá corda às exportações).

Reino Unido, Itália e França são os três principais mercados da Pedrosa & Rodrigues, que praticamente desde o início apostou na internacionalização do negócio. Mas os olhos estão já postos em novas latitudes. «O Reino Unido, sobretudo, é muito rico, no sentido em que há muita diversidade, muitos segmentos. Logo há mercados que para nós são mercados em crescimento, como EUA, Alemanha e Holanda, e depois há todos os outros», referiu o administrador. «Há dois anos começámos a pensar nos EUA. Começámos a fazer algum trabalho lá nessa altura e lembro-me que as pessoas nem sabiam bem o que era Portugal. Só à terceira viagem é que encontrei alguém que sabia o que era Portugal. Muitos deles ainda estão a aprender para que serve uma cadeia de fornecimento em Portugal», considera Miguel Pedrosa Rodrigues que, contudo, está atento às mudanças políticas que poderão afetar o país. «O presidente americano já pôs em causa o NAFTA, o que nos pode dar vantagens em relação aos fornecedores da América do Sul», acredita. No entanto, caso o pior aconteça, a Pedrosa & Rodrigues está já preparada para mudar de estratégia. «Há coisas que podemos fazer para nos preparar para o pior, que é melhorar a nossa exposição ao mercado alemão, um mercado muito forte onde temos feito avanços muito positivos», revelou, não pondo também de lado a possibilidade de diversificar a gama de produtos, incluindo sapatos ou tecidos, e as áreas de produção, adicionando valências como estamparia, bordados e acabamentos à confeção.

A diversificação de países e de clientes tem permitido à empresa crescer a dois dígitos nos últimos anos, tendo atingido um volume de negócios de 14 milhões de euros em 2016 (+18% face a 2015), fruto do aumento da procura, com novos clientes, mas também de crescimento dentro dos clientes já existentes. «E as gamas que temos produzido são cada vez mais de valor acrescentado. O nosso preço médio tem vindo a crescer sistematicamente desde 2011», sublinhou Miguel Pedrosa Rodrigues.

O crescimento tem ainda sido feito através de Marrocos, onde há cinco anos a empresa tem uma base de produção – em 2016, esta unidade confecionou 120 mil das 1,1 milhões de peças que a Pedrosa & Rodrigues produziu. «Uma das perspetivas de crescimento seria por aí. Tendo o cliente certo para desenvolver mais essa cadeia de fornecimento lá é uma forma relativamente simples de crescer sem ter um impacto tremendo na base em Portugal», afirmou o administrador.

A pensar na continuidade, a produtora de vestuário em malha, que emprega 70 pessoas, está também a investir na formação, com um projeto interno para transmitir o know-how e a cultura da empresa a novas técnicas de confeção e, desta forma, valorizar a profissão. «Como temos a primeira geração de funcionários a aproximar-se da reforma, o plano é, dentro de dois anos, criar um centro de formação nosso, onde vamos ter as pessoas mais antigas, carregadas de experiência, a serem as professoras da próxima geração. E vamos com isso passar o nosso conhecimento e cultura às gerações futuras», explicou Miguel Pedrosa Rodrigues. «Há uma distância grande entre aquilo que é dado na formação e a realidade das empresas. O nosso projeto pretende sobrepor as duas coisas, a formação e a empresa, para que o resultado da pessoa formada seja 100% útil à empresa», acrescentou.

Para 2017, as expectativas do administrador da Pedrosa & Rodrigues passam por manter o volume de faturação e «melhorar a gestão e a sustentabilidade do negócio», apontou, mantendo, assim, por base os valores que cimentaram a empresa no mercado ao longo dos últimos 35 anos. «É esta constante atitude de enquadrar coisas novas, adaptar, mudar, melhorar. É o conjunto de muitas coisas pequenas a fazer o todo e não necessariamente uma coisa emblemática. Não é assim uma coisa brilhante e epopeica, é um quotidiano feito de uma atitude de constante melhoria e mudança», resumiu Miguel Pedrosa Rodrigues.