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Roupa que dura, dura, …

Um jovem empresário britânico criou a “30 Year Sweatshirt”, uma gama ética e sustentável de camisolas – e, mais recentemente, de t-shirts – para homem e mulher que considera oferecer uma solução prática para o atual ciclo de consumo e desperdício causado pela fast fashion. A experiência da indústria de vestuário portugueses teve, nesta iniciativa, um papel-chave.

O londrino Tom Cridland, de apenas 25 anos, explicou à agência Reuters que aliou o antigo trabalho manual e saber a um tratamento único de silicone, aplicado ao tecido, que impede que as peças encolham.

O resultado é uma camisola que Cridland garante durar três décadas. E porque os artigos têm com um preço acessível – 65 libras (88 euros) para as camisolas e 35 libras para as t-shirts –, o jovem empresário sublinha que os clientes também podem economizar dinheiro a longo prazo.

«São feitas de algodão orgânico com um pouco de poliéster, algo que pode não ser tão glamouroso, mas que é verdadeiramente útil para a funcionalidade, mobilidade e conforto», explicou Tom Cridland, destacando ainda que os fabricantes são portugueses. «Escolhi Portugal porque sou meio português, eles são a razão pela qual escolhi os “30 anos”. Pedi-lhes “mostrem-me a camisola mais antiga que fizeram” e eles, que trabalham como fornecedores desde 1964, mostraram-me uma camisola do final dos anos 1970 que ainda estava em perfeitas condições», contou o jovem.

Os anos 70 ainda eram incipientes em termos tecnológicos, pelo que «não eram capazes de fazer peças que não encolhessem ou formassem borboto». «Algo que fizemos, agora, com o tratamento de silicone único desenvolvido em Portugal – ainda que estes fornecedores sejam da velha escola, souberam acompanhar a mudança dos tempos e investiram em ótimos equipamentos», revelou Cridland sobre os seus fornecedores portugueses.

Cridland considera que a sua empresa homónima pode constituir uma alternativa acessível e ética à fast fashion, na qual os consumidores pagam preços baixos por vestuário de baixa qualidade e que depois sentem a necessidade de substituir regularmente.

As camisolas, produzidas em Portugal, recorrem a técnicas tradicionais de confeção de malhas – são usados três fios de malha – e o material usado é 80% algodão orgânico e 20 % poliéster premium, que Cridland refere promover a mobilidade e adaptação das peças.

O designer sublinhou ainda que a efemeridade embutida em grande parte do vestuário moderno pode ser prejudicial para o meio ambiente e que a sua linha de roupa vai ajudar a neutralizar tais efeitos. «O simples facto de estarmos a garantir que as camisolas alcancem os 30 anos implica que sejam muito bem-feitas e que, portanto, não estejam a contribuir para o desperdício dos nossos recursos naturais, que é a principal razão deste projeto, ser bom para o meio ambiente», advogou, salientando que procura servir de exemplo a iniciativas do género.

Além disso, a Tom Cridland Co. juntou-se à instituição de solidariedade internacional Deki e está a doar 10% das receitas para apoiar empresários em risco, destinando-lhes subsídios que permitam alavancar os seus negócios.