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China está mais cara – Parte 2

Publicada a: 29/01/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Com o aumento generalizado dos custos e a aparente vontade política de fomentar esta tendência, produzir têxteis e vestuário na China é cada vez mais caro e um aumento de preços na ordem dos dois dígitos ao longo de 2008 parece ser inevitável. Mas as consequências que isto terá para a “fábrica do mundo” são ainda uma incógnita.

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China está mais cara – Parte 2

Os custos estão a aumentar na China (ver primeira parte da notícia no Portugal Têxtil) e para as empresas determinadas a ultrapassar as actuais dificuldades, existem aparentemente poucas opções. A maioria deve efectivamente aumentar os preços. De acordo com a estimativa que prevê aumentos de 40% nos custos do trabalho, os preços de venda poderão aumentar até 20% ao longo de 2008.

Mas a pressão está também a surgir por parte dos crescentes custos de matérias-primas, em grande parte impulsionados pelo aumento do preço do petróleo. Por outro lado, a seca australiana levou os preços da lã até quase ao dobro do valor de há três anos atrás.

O aumento dos preços é ainda ampliado pela recente adopção da legislação Reach pelas autoridades comunitárias, no âmbito da qual as empresas são obrigadas a identificar e a quantificar os produtos químicos utilizados nos seus produtos. Esta exigência força os exportadores chineses a adquirir muitos dos seus materiais na Europa para cumprir com as novas normas.

Kroeber questiona a viabilidade dos produtores de vestuário não aumentarem os preços, ainda para mais com o abrandamento da economia norte-americana. Ele espera assistir a uma contínua tendência de deslocação dos produtores de vestuário com unidades ao longo da costa para as regiões do interior da China, onde a mão-de-obra pode custar até 30% menos, ou até para países no estrangeiro como o Vietname.

A CNTAC refere que deverá existir uma maior orientação para o mercado interno. As vendas do retalho no país têm aumentado cerca de 14% ao ano, atingindo os 983 mil milhões de dólares em 2007, de acordo com as estatísticas governamentais. As empresas têxteis da China já vendem a maioria (70%) dos seus produtos para o mercado interno, que tem crescido a um ritmo mais rápido do que as exportações.

Mas a maior parte da população chinesa continua a comprar vestuário de baixo preço, em vez dos produtos de luxo, dominados por marcas estrangeiras.

Por enquanto, a China continua a ser um dos lugares preferidos do mundo para os compradores estrangeiros. Embora os custos laborais no Vietname e no Bangladesh sejam inferiores, a China ainda produz artigos com qualidade superior e tem um elevado grau de eficiência da cadeia de fornecimento, assim como uma logística bem desenvolvida.

Mas os salários vão continuar a subir, especialmente nos centros de produção localizados na Costa Leste e no Delta do Rio Pérola. Cada vez mais as fábricas têxteis e de vestuário têm de competir com os produtores de outros países, e muitos esforçam-se para manter os trabalhadores migrantes que encontram constantemente postos de trabalho mais bem pagos.

Existe também um abrandamento no número de trabalhadores dispostos a migrar do mundo rural para as grandes cidades à medida que os agricultores ganham mais com os produtos agrícolas, resultado dos cortes nos impostos agrícolas.

A escassez de trabalho vai forçar as empresas têxteis a aumentar a produtividade, afirma o governo, mas se isso será suficiente para manter as encomendas do Ocidente, face ao aparentemente incontornável aumento dos preços, continua a ser uma incógnita.

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