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O poder dos Media

Publicada a: 29/01/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Cortejada pelos estilistas, pelas casas de costura e pelos anunciantes, a imprensa americana continua a ser a mais forte no universo globalizado da moda, onde as celebridades marcam o ritmo e onde um vestido fotografado numa cerimónia dos Oscars vale mais do que toda uma colecção bem sucedida.

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O poder dos Media

O cancelamento dos Globos de Ouro, que antecede a cerimónia dos Óscares, devido à uma greve dos argumentistas, foi uma humilhação para a indústria do vestuário, já afectada pela redução das vendas nos Estados Unidos da América. Também os meios de comunicação social, que veiculam as imagens das vedetas vestidas por Vera Wang ou Oscar de la Renta, estão preocupados com esta anulação.

«Hollywood e a indústria da moda tremem», escrevia esta semana o influente Women's Wear Daily, lido não só por milhões de mulheres, mas sobretudo pelos profissionais da comunicação que perseguem os exclusivos sobre as fusões – aquisições, transferências de talentos ou os lançamentos de perfumes.

«É terrível que este acontecimento tenha sido cancelado no último minuto, porque tínhamos preparados vestidos fabulosos para algumas das nossas clientes», afirmou a estilista Alice Temperley ao portal WWD.

Vanessa Seward, da casa Azzaro, que vestiu no ano passado a actriz Kate Winslet para os Globos de Ouro, acrescenta que «para nós, estes acontecimentos são muito importantes porque especializamo-nos nos vestidos que desfilarão no tapete vermelho».

Os "tapetes vermelhos" são tradicionalmente usados para cerimónias importantes. Por lá desfila gente famosa que atrai fotógrafos das mais variadas revistas e jornais, como a Vogue, a Harper' s Bazaar ou a People que publicam, em dezenas de milhões de exemplares, as melhores fotografias obtidas neste género de eventos.

«A indústria é sustentada pelas celebridades porque são estas que condicionam os mercados publicitários», explica Eric Hertz, director-geral do Instituto de Moda de Nova Iorque (FIT). «A verdadeira crítica de moda desapareceu um pouco. O New York Times é um fenómeno único entre os diários, com uma equipa dedicada» salienta o director. Hertz admite que a aura de um personagem como Suzy Menkes, que se passeia entre Milão, Paris, Londres e Nova Iorque, atrai leitores e anunciantes para as páginas de moda do International Herald Tribune.

A editora chefe da Vogue americana, Anna Wintour, imortalizada no ecrã por Meryl Streep no filme “O Diabo veste Prada", é um outro mito num género diferente. «A revista Vogue é muito poderosa», afirma Eric Hertz. «Ela é publicada pela Condé Nast, que oferece um leque de revistas – decoração de interiores, vestidos de casamento, vestuário infantil – que permite às leitoras criar o seu próprio mundo».

«Os profissionais querem que as celebridades levem os seus sacos ou os seus sapatos. Os meios de comunicação social, por si só, não têm nenhuma influência neste país, e as editoras de moda não tomam a iniciativa de criticar», sustenta, por seu lado, Jessica Siegel, professora na Universidade da Columbia, escritora e jornalista. «Cerimónias assim como o Golden Globs marcam o ritmo, e os meios de comunicação social difundem-no», explica Jessica Siegel.

Anna Wintour convenceu os estilistas em Milão a concentrar os seus desfiles em quatro dias, tornando a semana frenética com desfiles de 45 minutos. Mas, após ter deixado Milão, Anna Wintour escreveu uma carta aos costureiros italianos: «Toda a equipa de Vogue Americana agradece o calendário desta semana. Pudemos reduzir ao mínimo a nossa estada (em Milão) e isso foi positivo para nós face à desvalorização do dólar em relação ao euro. Na esperança que o calendário milanês mantenha este esquema no futuro, agradeço-vos».

Um poder que a directora da Vogue americana compartilha com M. Blackwell, estilista reformado instalado na Califórnia, que publica anualmente uma lista em toda a imprensa das «celebridades mais mal vestidas do ano» que este ano distinguiu Victoria Beckham, uma fiel seguidora das semanas de moda.

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