Após ter anunciado a intenção de introduzir a marca de vestuário americana Tommy Hilfiger na Bolsa de Amesterdão, o fundo de investimento britânico Apax Partners revelou à AFP que o projecto ficou, para já, em stand-by devido à crise dos mercados.
«Uma entrada em Bolsa foi vista como uma etapa lógica no desenvolvimento da Tommy Hilfiger. Como a sua sede mundial está em Amesterdão, a empresa explorou neste últimos meses a possibilidade de entrar na Bolsa de Amesterdão», explicou a Apax. «A reacção dos investidores foi positiva. Contudo, face à volatilidade crescente do mercado, a direcção e os accionistas decidiram retardar os procedimentos de entrada na Bolsa até as condições de mercado estabilizarem», e aí, «as coisas seguirão o seu curso normal», acrescentou o fundo de investimento britânico.
A Tommy Hilfiger, marca detida pelo Apax Partners Worldwide, foi a quinta empresa na Europa a atrasar a sua oferta pública inicial após a quebra nos mercados bolsistas mundiais. A quebra nos mercados também atrasou outras ofertas iniciais, como a unidade de propriedades do Carrefour e a empresa farmacêutica italiana Philogen.
Os mercados bolsistas são os mais voláteis dos últimos cinco anos, devido às preocupações crescentes com uma possível recessão nos EUA e a aparente falta de controlo relativamente às perdas dos bancos relacionadas com a crise do mercado imobiliário.
Este reboliço pode influenciar igualmente outras ofertas. As marcas de luxo italianas Prada e Salvatore Ferragamo também planearam, aparentemente, a sua entrada em Bolsa para o primeiro semestre deste ano. «Estamos a trabalhar com os nossos consultores para determinar a melhor altura», referiu o porta-voz da Prada, Tomaso Galli, acrescentando que não foi tomada nenhuma decisão e confirmando apenas que a marca italiana ainda tenciona entrar na Bolsa este ano.
A venda das acções da Hilfiger está a ser coordenada pelo Credit Suisse, juntamente com os bancos Fortis e Morgan Stanley. De acordo com a Morgan Stanley, as ofertas deveriam ser feitas até 4 de Fevereiro e as apresentações ao mercado deveriam ter começado na passada sexta-feira.
Marca cada vez mais forte
Diversas marcas conhecidas internacionalmente têm vindo a sentir os efeitos da crise do mercado. A Coach, a maior produtora americana de carteiras de luxo revelou os seus piores resultados em oito anos; a Richemont, casa-mãe das marcas Cartier e Montblanc, revelou que a procura está a abrandar; e mesmo a Burberry já referiu que não irá atingir os objectivos (ver Burberry falha objectivos).
Contudo, em comunicado, a Apax sublinha que «a Tommy Hilfiger é um negócio muito forte e tem estado bem em todos os mercados geográficos e produtos nos últimos dois anos, incluindo durante os últimos meses de incerteza económica».
A Tommy Hilfiger, que acabou de lançar uma gama de vestuário desenhada pelo futebolista Thierry Henri, foi fundada em 1984 e detém também a marca Karl Lagerfeld. Entrou na Bolsa em 1992 e atingiu o zénite em 2000, com um volume de negócios de 2 mil milhões de dólares. Mas o declínio acentuado das suas vendas, nomeadamente as realizadas em grandes lojas americanas, fez com que o grupo fosse comprado pela Apax por 1,6 mil milhões de dólares, que tem privilegiado o mercado europeu em detrimento dos EUA.