A H&M está a vender biquinis on-line a 10 euros para recuperar a sua coroa de maior retalhista europeu, numa estratégia que pode ajudar a impulsionar as acções em mais de 10%.
A aposta no mercado virtual não é recente para a empresa sueca, que desde 1998 disponibiliza a venda on-line, tendo sido lançada com sucesso na Holanda, Alemanha e Áustria «porque têm um mercado de compras on-line e encomendas por e-mail muito semelhante ao dos países nórdicos», revelou a porta-voz do retalhista sueco, Camilla Emilsson Falk.
A porta-voz da empresa não revelou, todavia, se será o Reino Unido ou os EUA as próximas apostas em vendas on-line da marca sueca: «Todos os mercados da H&M têm potencial para o comércio electrónico e este será gradualmente alargado a outros mercados, mas neste momento é ainda muito cedo para dizer». Contudo, alguns analistas acreditam que a próxima aposta se irá manter no continente europeu. Aasa Mossberg, analista da Kaupthing, acredita que a H&M pode expandir a sua loja virtual para o Reino Unido dentro de um ano.
A Internet pode, assim, vir a representar cerca de 1,1 mil milhões de dólares, ou seja, 5% do total de receitas em 2011, estima Mossberg. O negócio on-line da H&M será bem sucedido, segundo as previsões do analista da Dresdner Kleinwort, Geoff Lowery, porque se dirige às adolescentes e jovens, peritas na Internet. «A H&M tem óptimas credenciais de estilo». A empresa já ofereceu vestuário do designer Roberto Cavalli on-line, com 80% da colecção, incluindo um vestido com estampado zebra de 99,90 dólares, a ser vendida na Internet. No entanto, Camilla Falk nega que os clientes on-line tenham melhores oportunidades de negócio que os compradores das lojas de rua, afirmando que estão a ser usadas campanhas separadas tanto nas lojas como na Internet.
A Internet vai também ajudar a acelerar o crescimento das receitas para 15% em 2011, segundo as estimativas da Bloomberg. Isso iria ajudar à expansão das vendas da H&M e permitir que o retalhista ultrapassasse, pela primeira vez desde 2001, o actual maior retalhista europeu, a Inditex, que não vende vestuário on-line. Com os tops a serem vendidos por apenas 7,90 dólares, o vestuário económico da H&M poderia tornar-se também interessante aos olhos dos consumidores mais preocupados com os preços e conscientes do abrandamento do crescimento da economia. Uma aposta que vai de encontro aos mais recentes dados relativos ao comércio electrónico. O NPD Group revelou que a Internet representou 5,8% do total de receitas de vestuário em 2007. Katherine Neal, que trabalha no Barclays em Londres, explica que «o vestuário on-line dá uma boa ideia das tendências. É conveniente e pode comprar-se quando se quiser». Também Anne Critchlow, analista na Societe Generale em Londres, considera que «a H&M está a acompanhar a Inditex, e o on-line é uma das razões», recomendando a compra de acções de ambas. «A H&M costumava ser uma empresa escandinava cautelosa, não investindo tanto nas vendas on-line nem em novos mercados. Isso mudou».
Após uma quebra de 13% este ano, a H&M pode, desta forma, aumentar o valor das suas acções em 12%, de acordo com as estimativas dos analistas compilados pela Bloomberg.
Uma outra acção da empresa sueca poderá igualmente contribuir para melhores resultados num futuro próximo. A H&M acabou de comprar a Fabric Scandinavien, detentora da marca Cheap Monday, vendida em mais de 1.000 lojas em todo o mundo. Embora para já tenha apenas uma quota de 60%, que comprou por 92,4 milhões de dólares, a H&M ficou ainda com a opção de adquirir as restantes acções da empresa nos próximos três a cinco anos. A Fabric Scandinavien, cujo volume de negócios para 2007/2008 deverá atingir os 65,5 milhões de dólares, será gerida como uma empresa independente do grupo H&M, mantendo os fundadores Adam Friberg, Lars Karlsson, Örjan Andersson e Linda Friberg nos seus quadros.