A UE quer ajudar o sector têxtil e de vestuário do grupo ACP (África, Caraíbas e Pacífico). De acordo com o regulamento publicado no final de Dezembro, todos estes países podem, a partir de agora, utilizar tecidos asiáticos para produzir vestuário exportável a taxa zero para a UE. O dispositivo, decalcado do regime preferencial African Growth and Opportunity Act – posto em acção há muitos anos pelos EUA em benefício dos países da África Sub-Saariana –, prevê que «a origem preferencial seja conferida apenas pela confecção e não pelo conjunto confecção e tecido», indica o consultor Jean-François Limantour na sua crónica na «Textile-Business News».
Entre os beneficiários desta medida, para além de países como o Quénia, o Burundi ou o Lesoto, figuram as Ilhas Maurícias e Madagáscar, dois importantes fornecedores da UE em vestuário. «Sabendo que as matérias-primas são, em média, 50% do preço de uma peça de vestuário e que o salário mensal de um trabalhador de Madagáscar está na ordem dos 25 euros, prevêem-se impactos muito positivos com esta nova regulamentação na competitividade do sector no Oceano Índico para as exportações destinadas aos mercados da Europa», sublinha o consultor.
Vantagens que, como presidente do Cedith (Círculo Euromediterrâneo de Dirigentes do Têxtil e Vestuário), conselheiro da fileira tunisina e fervoroso lobbista, Jean-François Limantour gostaria de ver estendidas aos confeccionadores mediterrânicos. «Um novo regulamento de origem preferencial europeia idêntico ao acordado para a ACP melhoraria favoravelmente a competitividade do vestuário mediterrânico (com uma redução dos preços entre 20% a 30%) e beneficiaria, por último, o conjunto da fileira têxtil e de vestuário euro-mediterrânica, assim como os consumidores», argumenta Limantour.
Argumentos que não convencem, contudo, a maioria da fileira francesa. «O peso dos ACP nas trocas comercial de têxtil e vestuário com a UE não tem nada a ver com as dos países mediterrânicos», sublinha Joëlle da Fonseca, responsável da missão da UIT (União dos Industriais Têxteis) na Direcção dos Assuntos Económicos e Internacionais. «As exportações para a ACP pesaram apenas 2% nas vendas totais de têxteis da Europa, enquanto que a quota da ACP nas importações europeias de têxteis e vestuário limitam-se a 1%. Isso explica porque é que não lutamos contra a alteração dos regulamentos para a ACP e que estejamos mais preocupados com a questão mediterrânica». De facto, a Tunísia e Marrocos constituem o terceiro e quarto clientes de têxteis da União Europeia, com as exportações europeias (em crescimento) a atingir os 1,1 mil milhões de euros para a Tunísia e os mil milhões de euros para Marrocos durante os primeiros nove meses de 2007.
Tendo isso em conta, os países do grupo ACP devem aproveitar a oportunidade do novo regulamento europeu. Uma ajuda particularmente oportuna para o têxtil e vestuário das Maurícias. Na sua coluna de informação, Jean-François Limantour evoca as dificuldades sentidas pela ITV do território. Entre 2000 e 2005, o sector perdeu 30% dos seus efectivos. Se durante os primeiros dez meses de 2007, as importações americanas de têxtil e vestuário provenientes das Ilhas Maurícias praticamente estagnaram (mais 0,6%), as importações europeias, por seu lado, caíram 1,4%. Decidida a tomar um novo impulso, as Maurícias vão inaugurar um instituto dedicado à moda e ao design em 2008 e acolherão, em Outubro, a conferência anual da ITMF (Federação Internacional dos Produtores Têxteis).