Roberto Cavalli afirma que a sua casa não está à venda. Embora tenha solicitado à Merrill Lynch para identificar potenciais compradores, o estilista italiano foi peremptório ao declarar que «não penso vender a minha casa. Procuro simplesmente um parceiro para ajudar no seu desenvolvimento». Cavalli revelou ainda que «o contrato estabelecido com a Merrill Lynch não me obriga de forma alguma a vender e acho que somente o faria no meio de uma crise financeira».
Até ao momento, Roberto Cavalli tem 15 potenciais interessados, entre os quais o CVC Capital Partners, um dos principais fundos de investimento privados, estimado a 43 mil milhões de euros e que detém, entre outras empresas, a espanhola Cortefiel. Os grupos Blackstone e Carlyle fazem também parte dos interessados.
Mas antes de concretizar qualquer parceria, é necessário acordar o valor da casa Roberto Cavalli. Apesar dos responsáveis terem-na estimado em 2 mil milhões de euros em Novembro último, a Merrill Lynch reavaliou-a em mil milhões de euros, justificando este diferencial com a actual crise que vive o sector do luxo. «A Merrill Lynch subavaliou a minha empresa», contrapôs o estilista italiano. «Esta análise não tem em conta o sucesso mundial que alcancei com a minha colecção internacional para a H&M».
Mais do que vender, Roberto Cavalli acaba sim de comprar 4% do aumento de capital realizado pela Lineapiù. Os 5,5 milhões de euros resultantes do aumento de capital, no qual também participaram os actuais accionistas, deverão oferecer novas perspectivas de crescimento à especialista em tecidos e malhas. Foi a aposta em I&D (investigação e desenvolvimento) que permitiu à empresa têxtil italiana forjar a sua reputação de pioneira e inovadora no seu sector. «Partilhamos a mesma visão, a mesma busca da originalidade para fazer o que os outros não fazem», declarou Giuliano Coppini, que fundou a empresa em 1975.
Actualmente, a Lineapiù emprega 400 pessoas, distribui a sua produção pela Europa, EUA, Japão e China e possui show rooms em Nova Iorque, Tóquio, Moscovo, Paris e Istambul. Em 2007, a empresa registou um volume de negócios de 90 milhões de euros. «A Lineapiù é uma empresa que inventou as mais belas malhas do mundo para os mais famosos designers e que sentiu a crise do sector, como tantas outras, mas agora tem todo o potencial para reconquistar a liderança que merece», sustentou o novo accionista Roberto Cavalli.
O estilista italiano acaba também de realizar outro sonho: a abertura de uma loja em Paris. Depois de um périplo por Roma, Veneza, Marbella, Nova Iorque, Dubai e Xangai, a marca Cavalli instalou-se na Cidade Luz, mais precisamente na rua do Faubourg Saint-Honoré, morada de muitas das suas congéneres do luxo. Num espaço de 600 metros quadrados, dividido por seis níveis, a Just Cavalli promete satisfazer todos os desejos consumistas. Até ao momento, o estilista italiano está presente em mais de 2.000 pontos de venda seleccionados e em 43 lojas monomarca.