A Nike depende bastante da China, tanto para a produção como para as vendas. A China produziu 35% do calçado Nike no ano fiscal de 2007 e é também um mercado importante no aprovisionamento de vestuário e calçado. Além disso, o grupo americano está perto de atingir um volume de vendas de mil milhões de dólares na China, tornando-se assim o seu segundo maior mercado fora dos EUA.
Os 180 produtores contratados da Nike na China empregam mais de 210.000 trabalhadores, divulgou a empresa, num suplemento sobre a China no seu relatório de responsabilidade corporativa, onde afirma que apertou o seu sistema de cumprimento de requisitos e onde louva a nova legislação laboral do país. Contudo, a empresa também encontrou indícios de identificações falsas em algumas das empresas contratadas nas suas inspecções.
Em 2007, a Nike fez 10 visitas sem aviso a 10 empresas contratadas no Sul da China. Apesar de não ter encontrado casos confirmados de trabalho infantil nas fábricas, a empresa descobriu três incidentes de identificação falsa, sugerindo que os trabalhadores poderiam ter idade inferior à idade mínima para trabalhar na altura da contratação, segundo revela a marca.
Além disso, os programas de auto-avaliação mostraram 167 casos de trabalhadores com identificação incorrecta que estavam abaixo dos standards mínimos de idade da Nike quando foram contratados mas que têm agora 18 ou mais anos.
Actualmente, há dois casos de trabalhadores abaixo do standard de idade mínimo de 18 anos, um dos quais com 17 anos, que foi transferido para um posto de trabalho de escritório numa fábrica de calçado.
A empresa revelou ainda que foram encontrados cerca de 1.300 casos nos quais os trabalhadores tinham idade legal quando foram contratados mas que tinham algumas informações pessoais incorrectas nos seus cartões de identificação.
«O número de violações encontrado é pequeno, mas ainda assim preocupante. Todas as fábricas de calçado contratadas reviram e melhoraram os seus sistemas de contratação e de verificação de identidade», revela a Nike no relatório.
A empresa estima que 80% dos trabalhadores na sua cadeia de aprovisionamento sejam mulheres entre os 18 e os 24 anos. Na China, tipicamente mais de 70% dos trabalhadores nas fábricas contratadas pela Nike são jovens mulheres que migraram de zonas rurais do país para as regiões costeiras, segundo o relatório.
Para a Nike, 2007 ficou também marcado pela aprovação de legislação importante para aumentar a protecção aos direitos dos trabalhadores, a Lei de Contratação de Trabalho e a Lei de Promoção do Emprego da China. Além disso, a Nike tem um código de conduta que exige aos contratados «reconhecer a dignidade de cada trabalhador e o direito a um ambiente de trabalho livre de assédio, abuso ou castigos corporais. Exige também um local de trabalho sem discriminação».
Em 2007, 34 fábricas chinesas participaram no processo de reconhecimento da Nike, com duas fábricas aprovadas na primeira ronda de auditorias e 16 aprovadas no final do ano. As razões mais comuns para falharem no processo de aprovação eram horas-extra excessivas, falhas no pagamento dos salários legais, falsificação de informação do ambiente e condições de trabalho e questões relacionadas com a segurança e a saúde.