Não é preciso ser um perito em economia para notar a recente melhoria nos padrões de vida na cidade de Hanói, no Vietname. O aumento de rendimento dos Vietnamitas não se espelha apenas na comida suficiente e num telhado decente sobre as suas cabeças. Com o aumento da riqueza, vem um crescente desejo por artigos de luxo e roupa de marca, a maneira perfeita de exibir ao mundo que se pode pagar mais do que os básicos.
É uma tendência fácil de identificar. Basta deambular pelas ruas da cidade para ver as multidões de jovens raparigas e rapazes com roupas de marca, a conduzir scooters caras como Piaggio LX, Honda SH ou PS.
Especialmente entre estes jovens, a roupa cara de designer é considerada quase uma necessidade para expressar o seu sentido de moda pessoal e, claro, o seu nível de riqueza.
Apesar de ainda estar dependente dos pais, Hoang Linh, um estudante universitário de 18 anos, considera-se um viciado em moda de designer. Linh não se acanha com uma etiqueta com um preço alto quando vê algo que quer. Desloca-se rapidamente na sua Honda SH para conseguir uma camisola D&G, dizendo que «se não a comprar imediatamente, pode esgotar».
Van Anh, uma jovem cliente regular do Luxury Mall em Hanói, revelou que gasta uma média de 1.000 dólares quando vai às compras, em qualquer das 30 lojas de marca, incluindo D&G, Versace, Roberto Cavalli, Just Cavalli e Armani. Quando se cansa das suas roupas e precisa de espaço no seu guarda-roupa, vende-as no website muare.vinahoo.com. Calças Prada estão na lista do site por uma “bagatela” de 600 dólares e umas Just Cavalli podem ser compradas por uns “meros” 700 dólares.
Mesmo a esses preços, Anh tem dezenas de respostas dos subscritores do website. Mai Chi, uma jovem mulher que vive na Cidade de Ho Chi Minh, antiga Saigão, está desesperada pelas calças Prada a 600 dólares. «São muito bonitas», afirma.
Outra subscritora, Mai Uyen, está a vender uma mala Louis Vuitton que comprou há uns dias atrás por 1.200 dólares na loja Louis Vuitton no hotel Metropole, afirmando que já se «apaixonou por outra mala de design».
Huyen considera que o Vietname se tornou um destino de compras com nomes da moda tão famosos como Lacoste, Furla, Burberry, Escada, Louis Vuitton e Cartier a abrir lojas em Hanói e Ho Chi Minh.
De acordo com Ngo Quang Nam, gestor da loja Calvin Klein de Hanói, a maior parte dos seus clientes são jovens e gastam uma média de 620 dólares em artigos Calvin Klein. «Desde que a loja abre as portas, as receitas do dia podem chegar aos 6.200 dólares – um sinal prometedor para o negócio da empresa», afirma.
Apesar de muitas pessoas apreciarem o prestígio que um artigo de design acarreta, nem todos o podem pagar. «Apesar de ser fascinada por artigos de design, só posso ir ver as montras. Ganho pouco mais de 200 dólares por mês enquanto que o último modelo de carteira da Burberry custa mais de 2.000 dólares, dez vezes mais que o meu salário. Para mim, os preços nestas lojas estão fora de alcance», afirma Thu Van, que trabalha num edifício em Ly Thai To Street, rodeado de lojas de designer.
Algumas pessoas gerem as suas despesas, procurando uma forma de comprar artigos de designer. «Corro para a loja sempre que há saldos, esperando comprar algo adequado. Comprei um cinto e uma carteira na loja Bally do hotel de cinco estrelas Metropole quando estava com promoções de 60% no ano passado», revela Mai Trang que trabalha num banco.
Não querendo ser uma «viciada em designer» desesperada, Trang verifica sempre o seu orçamento antes de decidir comprar. «Apesar dos artigos estarem 50 ou 60% mais baratos, o preço pode ainda estar acima das minhas possibilidades. Só compro quando não tenho outras necessidades».
Tal como Trang, Khanh Phuong, uma estudante de 20 anos que não perde a oportunidade de ter artigos de designer quando estão em saldo. «Não me interessam roupas de designer – são muito caras. Normalmente compro roupas chinesas que ainda são giras e estão na moda. Às vezes compro roupa na Mango ou na Esprit quando estão em saldo».