A H&M anunciou ontem que os lucros do primeiro trimestre do ano fiscal aumentaram 28%, um valor superior às expectativas dos analistas e impulsionado pela abertura de lojas, as compras on-line e a desvalorização do dólar.
Na Bolsa de Estocolmo, a H&M subiu 5%, o máximo em quase dois meses. O lucro nos três meses até Fevereiro aumentou para os 493 milhões de dólares, face aos 385,7 milhões de dólares do ano anterior. Um valor que superou a média de 464 milhões de dólares antecipada pelos analistas.
Actualmente, a H&M está também a planear as primeiras lojas no Japão e na Arábia Saudita como parte do seu objectivo de abrir 190 lojas durante o corrente ano fiscal, a maior parte nos EUA e na Europa. O retalhista está também a expandir a sua oferta on-line. Enquanto a desvalorização do dólar reduz o valor das vendas americanas da H&M, o retalhista está a conseguir aumentar os lucros ao diminuir os custos com a compra de vestuário na Ásia, onde faz a maior parte do seu aprovisionamento.
«Este é um conjunto de resultados fortes», considera Christian Nagstrup, analista do Jyske Bank A/S na Dinamarca. «As vendas pela Internet e por catálogo estão a beneficiar o crescimento das vendas, e se tiverem as colecções certas vão sair-se bem. A tendência geral da H&M é positiva», refere Nagstrup que recomenda aos investidores a compra de acções.
Para o analista Richard Chamberlain da JPMorgan Chase & Co., «a H&M tem o crescimento maior e mais durável do sector. A empresa está bem colocada para explorar o crescimento das vendas on-line. A oferta de preços baixos da H&M deve permitir-lhe conseguir mais quota de mercado, tal como fez noutros ciclos negativos de consumo».
O volume de negócios total do mês passado aumentou 24%, excluindo as variações monetárias. A H&M introduziu as vendas on-line na Alemanha e na Áustria no ano passado e na Holanda em 2006 (ver H&M no mundo virtual), embora não forneça informação sobre estas vendas e os lucros. No último trimestre do ano transacto, as vendas aumentaram 16% nas moedas locais e 3% nas lojas abertas há mais de um ano.
«O bom desenvolvimento das vendas deve-se sobretudo a colecções bem conseguidas e às vendas por catálogo e pela Internet, assim como ao ligeiro efeito positivo do calendário», refere o comunicado da H&M.
Para este ano, a H&M tem de enfrentar a perda da confiança dos consumidores europeus e norte-americanos devido ao aumento da taxa de inflação, que tem reduzido o orçamento disponível para as compras de vestuário. A concorrência pode também aumentar para o retalhista sueco, numa altura em que a desvalorização do dólar aumenta o volume de negócios das empresas americanas como a Abercrombie&Fitch, a primeira retalhista americana dedicada ao segmento adolescente a abrir lojas próprias na Europa.
A H&M, que tem colaborado com designers famosos, como Roberto Cavalli e apostado em parcerias fortes (ver Marimekko chega à H&M), pretende aumentar as vendas com lojas mais caras no Reino Unido e na Alemanha. A retalhista acrescentou já 11 lojas, da Europa aos EUA, neste primeiro trimestre e quer abrir 54 lojas e fechar quatro no segundo trimestre. No final de Fevereiro, a retalhista sueca contava um total de 1.529 lojas.
«A expansão de lojas e na Internet são os principais impulsionadores», referiu Carl Eckerdal, analista na ABN Amro em Estocolmo antes da divulgação dos resultados. «Mas a H&M é claramente uma vencedora da depreciação do dólar». A moeda americana esteve 7,8% mais baixa em relação à coroa sueca no primeiro trimestre da H&M e 11% mais baixa do que o euro. A empresa compra igualmente mais de 60% do seu vestuário na Ásia, onde as moedas estão indexadas ao dólar.
A H&M continua assim na rota do sucesso. A empresa construiu uma marca global a partir de uma única loja aberta em 1947 na cidade sueca de Vaesteraas. No início do mês, comprou a empresa de moda sueca Fabric Scandinavien AB para juntar marcas ao seu portfólio incluindo a linha de denim Cheap Monday vendida em mais de 1.000 lojas em todo o mundo (ver H&M no mundo virtual).
A compra foi a primeira nos 61 anos de história da H&M e reflecte a estratégia da Inditex de se apoiar em diversas marcas. A H&M introduziu também a cadeia Cos, com preços mais altos, no ano passado e pretende criar uma unidade de decoração para a casa.