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China em dificuldades

Publicada a: 08/04/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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As empresas têxteis chinesas estão a enfrentar o seu ano mais difícil em 2008, com a valorização do yuan, o aumento dos custos com matérias-primas e os apertos dos mercados europeu e americano, atingidos pela crise do sub-prime. Dificuldades que as empresas tentam ultrapassar recorrendo à inovação e à qualidade.

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China em dificuldades

A China exportou 16,44 mil milhões de produtos têxteis e de vestuário nos primeiros dois meses de 2008, um crescimento de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo, a província de Guangdong, a maior base de exportação de produtos têxteis no país, exportou 3,52 mil milhões nesse período, uma quebra sem precedentes de 11,3%, de acordo com as alfândegas de Guangzhou.

Muitas das empresas têxteis da província do sul foram forçadas a passar do modelo de trabalho intensivo para um modelo de inovação e mais amigo do ambiente e até a mover as suas bases de produção para as províncias do interior para reduzir os custos.

«É preciso meio ano desde a recepção da encomenda à entrega do produto. A valorização do yuan nesse período reduziu muito o lucro», afirmou Cai Minqiang, presidente do conselho de administradores da Guangdong Famory Co, o maior produtor do país de vestidos de noiva. «O custo do comércio externo aumentou de 20% a 25% desde 2007, devido à crescente valorização do yuan».

O custo do trabalho também aumentou consideravelmente. O salário médio mensal dos trabalhadores têxteis em Xiqiao Town de Foshan City, uma das principais bases de produção têxtil, passou dos 1.600 yuan (228,45 dólares) para os 1.700 yuan, um aumento anual de 20%, tal como revelou um executivo da Guangzhou Huanya Garment Co.

Os custos em rápida escalada do petróleo e das matérias-primas são outra dor de cabeça da China. «O preço da lã aumentou de 20% a 30% enquanto que o carvão aumentou dos 350 yuan para os 680 yuan por tonelada em 2007», explicou Chen Huiyong, um dos principais executivos da Moonlight Fashion Co sedeada na Dongguan City de Guangdong.

As maiores exigências em termos de protecção ambiental e a questão da electricidade têm também afectado as empresas têxteis chinesas. Oito empresas de estamparia e tinturaria em Foshan fecharam no ano passado por não cumprirem os requisitos de protecção ambiental exigidos. «Uma questão que afecta a cadeia da indústria têxtil assim como aumenta os custos das empresas», sustentou Chen Shubin, director da Associação Têxtil e de Vestuário de Foshan.

Além disso, as empresas têxteis da província têm apenas quatro dias de fornecimento de electricidade por semana devido a um racionamento da energia, o que as forçou a comprar geradores a gasóleo e, consequentemente, a aumentar os custos, de acordo com Chen.

Sob tais circunstâncias desfavoráveis, as empresas têxteis são forçadas a adaptar-se ao mercado, a nivelar a sua produção e a desenvolver produtos com maior valor acrescentado para estarem mais bem posicionadas.

Em Xijiao Town, 17 empresas de estamparia e tinturaria investiram um total de 60 milhões de yuan para colocarem tubos de descarga de resíduos poluentes até ao final de Fevereiro, o que, segundo afirma Feng Yongkang, do governo do Nanhai District, em Foshan City, permitiu manter o processo de estamparia e tinturaria na cadeia da indústria e ajuda ao desenvolvimento de toda a ITV.

A urgente necessidade de mudança é igualmente prevalecente nos exportadores têxteis da China. Yu Yimin, director geral do Soho International Group, que produz tecidos de seda natural, revelou que a sua empresa desenvolveu uma obsessão pela inovação, considerada como a única forma de sobrevivência. «Os importadores simplesmente diriam “Nem pensar” e iriam embora se aumentássemos os preços, uma vez que a concorrência é feroz na China. Mas se tivermos algo único, isso fortalece-nos», declarou.

A deslocalização de fábricas para as regiões interiores do país, onde os custos do trabalho e das matérias-primas são muito mais baixos, está entre as estratégias das empresas têxteis para ultrapassar as dificuldades.

Zhao Yumin, um investigador no Instituto de Comércio e Cooperação Económica do Ministério do Comércio, afirmou que apenas as empresas com eficiência nos custos, que melhoram constantemente a sua produtividade têm hipóteses de sobreviver face à feroz concorrência mundial e ao crescente proteccionismo.

«A maior parte das empresas têxteis de lã em Dongguan ainda usam teares manuais, que têm baixa produtividade. Os teares automáticos importados da Alemanha e do Japão custam muito mais mas a sua produtividade é quatro vezes superior à dos teares manuais», revelou Ye Jianhua, secretário-geral da Associação Têxtil de Lanifícios da Dongguan City. «Importar as máquinas altamente eficientes é apenas um passo para a inovação tecnológica. A longo prazo, o investimento em tecnologia compensa».

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