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China boicota LVMH?

Publicada a: 18/04/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Acusado pelos blogs chineses de patrocinar o Dalai Lama e a causa tibetana e com ameaças de boicote aos seus produtos na China, o presidente do maior grupo de luxo do mundo desmentiu o envolvimento da LVMH e mostrou-se optimista quanto à performance económica do grupo nos próximos tempos.

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China boicota LVMH?

A Louis Vuitton Moët Hennessy  (LVMH) não foi, para já, afectada por qualquer boicote aos seus produtos na China e o presidente do grupo de luxo nega as denúncias dos bloggers chineses, que o acusam de apoiar o Dalai Lama contra a China. «Nego categoricamente as alegações feitas nesses blogs sobre o apoio que teríamos dado a esta ou aquela causa política ou religiosa», reelou Bernard Arnault ao Le Figaro.

No início desta semana, os chineses foram incitados através de mensagens escritas e salas de conversação on-line a não comprar artigos das lojas do francês Carrefour (detido em 10,7% pela Blue Capital, uma holding pertencente ao grupo Colony Capital e a Bernard Arnault), com os comentários a acusarem a empresa de apoiar o financiamento do Dalai Lama. Alguns apoiantes do boicote afirmaram também que a LVMH «doou muito dinheiro ao Dalai Lama».

«Não tem qualquer fundamento. Mesmo que se esteja chocado com o que está a acontecer no Tibete, é igualmente chocante ver os ataques contra a China. A China tem feito imensos progressos em 20 anos, no seu desenvolvimento económico e na sua abertura ao mundo», prossegue Arnault na entrevista ao jornal francês. «A China precisa de tempo. Se quisermos dialogar, há coisas melhores para se fazer do que atacar a chama olímpica quando passa nas cidades ocidentais», acrescentou o bilionário francês, referindo-se aos problemas na passagem da tocha olímpica em Londres e Paris no início do mês.

Nesta questão política, a China tem vindo a levantar uma guerra de propaganda contra o líder espiritual do Tibete no exílio, que acusa de ter planeado os confrontos mortais na capital Lhasa no mês passado e noutras áreas étnicas do Tibete nas províncias vizinhas. Por sua vez, o Dalai Lama rejeitou as alegações, discursando contra o uso da violência, pedindo conversações com a China e apoiando os Jogos Olímpicos de Pequim. Este conflito arrasta-se há décadas e tem dividido a sociedade ocidental, em grande parte apoiante da causa tibetana, e a China. No entanto, o grupo de luxo recusa-se a entrar em disputas e não toma qualquer posição.

Quanto às ameaças dos bloggers chineses, Arnault revelou que a LVMH, que vende as bolsas Louis Vuitton entre outros produtos de luxo, não foi até agora afectada por qualquer boicote. Quanto à possibilidade do abrandamento da economia americana poder afectar o crescimento da China, o presidente da LVMH explicou que, «do que a nossa experiência nos diz, o crescimento deve recomeçar no final do ano. Será que isto vai afectar os países emergentes, a Europa, a Ásia? Provavelmente, mas de forma limitada. Se o crescimento chinês descer de 10% para 8%, isso vai ser suportável e a China vai continuar a impulsionar a economia mundial».

Arnault explicou também os passos que a LVMH está a dar para reduzir o impacto da desvalorização do dólar face ao euro, revelando que a empresa tem «uma política de aumentar sistematicamente os preços dos nossos produtos nos mercados afectados, os EUA e Japão».

O presidente da LVMH afastou igualmente, pelo menos por agora, a hipótese de mudar as suas unidades de produção para fora da Europa. «Nesta fase, não», afirmou. «Conseguimos melhorar a produtividade nos nossos ateliers, certamente que não tão rapidamente quanto a desvalorização do dólar, mas de uma forma que nos permite manter este modelo».

O grupo tem mantido a sua “saúde financeira”, tendo registado no primeiro trimestre um volume de negócios de 4 mil milhões de euros, com as marcas de moda a apresentarem um crescimento de dois dígitos. O volume de negócios aumentou 12% até 31 de Março, embora devido ao impacto negativo das taxas de câmbio o crescimento se situe nos 5%. A divisão de artigos de moda e de pele registou um aumento orgânico de 14% para os 1,45 mil milhões de dólares, graças a uma performance «excepcional» da Louis Vuitton e de todas as marcas desta divisão.

No comunicado que acompanhou a divulgação dos resultados, o grupo revela que «graças à força e criatividade das suas marcas e à expansão em novos mercados, a LVMH vai manter o seu crescimento em 2008, apesar das dificuldades do mercado cambial e do clima de incerteza económica do início do ano».

O aumento da quota de mercado e dos lucros das suas principais marcas, assim como a melhoria dos resultados das suas empresas em desenvolvimento, mantêm-se como as prioridades da LVMH.

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