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Vestuário mais inteligente – Parte 2

Publicada a: 21/04/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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O projecto europeu BIOTEX traz um mundo de novas potencialidades aos têxteis inteligentes, através de bio-sensores em miniatura passíveis de serem incorporados numa estrutura têxtil e que conseguem analisar fluidos corporais.

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Vestuário mais inteligente – Parte 2

Várias das sondas BIOTEX (ver Vestuário mais inteligente – Parte 1), incluindo o sensor de pH, utilizam mudanças de cor ou outras medidas ópticas. Por exemplo, à medida que o suor atravessa o sensor de pH, provoca uma alteração de cor num indicador. Esta mudança de cor é então detectada por um dispositivo espectrómetro portátil. A tecnologia do sensor imunológico funciona de forma semelhante. São tecidas fibras ópticas plásticas no tecido, para que a luz possa ser fornecida aos sensores ópticos, sendo a luz reflectida direccionada para o espectrómetro.

A sonda de oxigénio da BIOTEX mede os níveis de saturação do oxigénio no sangue em torno do tórax, utilizando uma técnica designada por oximetria reflectiva. Um aglomerado de fibras ópticas plásticas permite que uma grande área do tórax seja iluminada e melhora a recolha da luz vermelha e infravermelha reflectidas, utilizadas pelo sensor. A transformação do sinal também melhora a sensibilidade deste método.

Incorporar uma série de bio-sensores numa estrutura têxtil é uma coisa, mas como conseguir, em primeiro lugar, que os fluidos cheguem até eles?

«O volume de fluído segregado pelas glândulas sudoríferas é de apenas alguns mililitros sobre uma pequena superfície e o calor do organismo significa que este é rapidamente vaporizado», explica Luprano. «Precisávamos de uma espécie de bomba que pudesse recolher o suor numa área e trazê-lo para os sensores, onde então poderia ser canalizado para cada um dos sensores».

A solução utiliza a combinação de fios hidrófilos (que atraem a água) e hidrófobos (que repelem a água). É possível tecer estes dois fios para dirigir o suor através dos canais no tecido até aos sensores. Trata-se de um sistema passivo que não requer energia, reduzindo assim as exigências energéticas do sistema BIOTEX (e o peso de uma bateria que o utilizador teria de transportar).

Nos primeiros ensaios do BIOTEX, as estruturas inteligentes serão utilizadas em vestuário para pessoas com obesidade e diabetes, assim como para atletas. Quando a tecnologia estiver validada, o plano passa por comercializar a tecnologia recorrendo ao apoio da indústria. Entretanto, um grande projecto financiado pela UE no âmbito do mesmo SFIT Group, chamado PROETEX, está a integrar a tecnologia com outros sistemas à escala micro e nano, para aplicações específicas, como o combate a incêndios e em equipas de salvamento.

No entanto, embora o BIOTEX tenha resolvido diversos dos aspectos técnicos da monitorização bioquímica em continuo, Luprano apela para a necessidade de mais investigação ao nível da aplicação desta tecnologia.

«É uma novidade e as empresas de saúde não estão acostumadas a isto. Não estamos habituados à informação que a monitorização remota contínua pode proporcionar, que é tão diferente dos testes laboratoriais “on-off” que são habitualmente realizados. O BIOTEX torna possível esta monitorização remota, mas mais investigação sobre as ligações entre estes indicadores e a evolução dos estados das doenças irão torná-la uma realidade. No entanto, no longo prazo, esperamos que haja um acompanhamento contínuo, tornado possível através dos têxteis inteligentes, originando uma grande melhoria na forma como abordamos o tratamento das doenças metabólicas e o lazer», conclui o investigador.

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