O Departamento de Trabalho revelou que, no geral, os preços aumentaram 0,3% em Março, enquanto que o preço do vestuário caiu 1,3%, a maior quebra mensal desde Setembro de 1998.
As notícias surgem após os retalhistas terem revelado as vendas de Março mais fracas desde há 13 anos. Os consumidores, pressionados por uma economia em crise, temperaturas frias e o aumento dos preços dos bens alimentares e do combustível, limitaram as suas compras ao essencial.
Nos últimos meses, os retalhistas de vestuário têm baixado os preços num esforço para movimentarem a sua mercadoria de Inverno e terem espaço para os novos artigos. A quebra em Março é indicadora de que as vendas de vestuário na Primavera e Verão vão manter-se fracas.
«Os retalhistas estão a carregar no botão de pânico», considera Burt P. Flickinger III, director do Strategic Resource Group, uma empresa de consultoria da indústria de consumo em Nova Iorque. «Se tem um Março mau, que tipicamente é o melhor mês entre o dia de Ano Novo e o Memorial Day [na última segunda-feira de Maio], vai ter um ano muito mau no retalho».
«Além disso, há uma falta de tendências de vestuário “must have”, que está também a afectar negativamente os retalhistas de vestuário», afirma Chris Donnelly, que trabalha com o grupo de consultoria Accenture. «É uma combinação de falta de tendências para liderar as vendas e das condições económicas mais globais que está a manter um ambiente difícil para os retalhistas nos últimos meses».
Recentemente, os retalhistas de vestuário, incluindo a JC Penney, Gap e Limited Brands, revelaram quebras acentuadas nas vendas comparáveis, ou vendas em lojas abertas há pelo menos um ano, um indicador importante para avaliar a saúde fiscal dos retalhistas. A quebra surge numa altura particularmente difícil para os retalhistas de vestuário, que estão a enfrentar o aumento dos custos do algodão, embalagem, transporte e controlo de temperatura nas suas lojas.
Flickinger antevê que os preços da roupa comecem a subir «significativamente» entre Abril e Agosto para combater o aumento dos custos. «Isso pode inibir ainda mais o consumo de vestuário», sublinha.
Combinado com outros factores como a mais baixa taxa de poupança na história dos EUA, um elevado nível de dívida de consumo, baixa confiança dos consumidores e aumento do crédito malparado, Flickinger prevê que o abrandamento no retalho se prolongue no próximo ano. «Os consumidores estão à procura. Quando vêem estes grandes descontos vão comprar, mas isso ainda não é suficiente para as lojas terem vendas positivas», conclui Flickinger..