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A caminho da liderança

Publicada a: 28/04/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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A crise no retalho da high street no Reino Unido tem criado muitas oportunidades para as cadeias de roupa mais barata. Prova disso são os resultados da Primark, que conseguiu ultrapassar a rival George, da Asda, e posicionar-se como a segunda maior cadeia de retalho em “terras de sua Majestade”, logo atrás da Marks & Spencer.

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A caminho da liderança

A crise no crédito pode significar más notícias para muitas lojas da high street – mas não para as lojas de roupa mais barata. A Primark, a maior cadeia britânica de «moda barata», revelou que o seu semestre trouxe um aumento de 25%, para os 899 milhões de libras, numa altura em que os compradores altamente pressionados andam à procura de pechinchas.

O aumento dá à Primark uma quota de 10% das vendas em volume de vestuário no Reino Unido, tornando-a no segundo maior vendedor. Ultrapassou a marca George da Asda e está a tentar apanhar a Marks & Spencer, que tem 12% de quota de mercado.

Maureen Hinton, analista de retalho na Verdict Research, considera que «os consumidores estão a ser bastante selectivos quanto às coisas em que gastam dinheiro. Estão à procura de boas compras».

Enquanto que dantes as marcas de designer eram tudo, há agora um grande valor em escolher uma pechincha aos gostos da Primark, especialmente com os orçamentos de muitas famílias a encolher devido ao aumento das contas com alimentação, electricidade, transportes e impostos.

A Primark, cujos lucros atingiram os 111 milhões de libras no primeiro semestre do seu ano fiscal (mais 22%), tem sido a principal beneficiária, mas rivais como a New Look, TK Maxx, George, Tesco, Zara, Matalan e H&M têm também colhido os frutos desta tendência.

O sucesso da Primark baseia-se na capacidade de apreender as últimas tendências das passerelles e entregar versões a preços mais baixos numa questão de semanas. Ganhou fãs em todos os escalões de rendimento, dos compradores mais pobres às celebridades e modelos, que lhe deram a alcunha de Pradamark. De acordo com a ex-editora da Tatler, Jane Procter, «ou é Prada ou é Primark. Não vejo qual o objectivo de comprar em qualquer loja no meio».

Este aumento considerável surgiu num ano em que a abertura da flagship da Primark em Oxford Street em Londres quase despoletou um motim, apesar de oferecer a mesma gama que as outras lojas da cadeia.

«A roupa mais barata tornou-se mais acessível e mais importante aceitável, especialmente com o crescimento da Primark e dos supermercados», revelou um porta-voz da empresa de análise de retalho Mintel. «Para muitos, a ideia de vestuário “compre hoje, use esta noite, esqueça para a semana” é simplesmente irresistível».

A Primark pode estar quase a apanhar a M&S em número de artigos vendidos, mas em termos de valor dessas vendas, a M&S ainda leva um bom avanço. Tem 10,7%, enquanto que a Primark chega apenas aos 4,1%.

Os bons resultados da Primark ajudaram os lucros da sua proprietária Associated British Foods (ABF) a aumentar para os 282 milhões de libras nos seis meses até 1 de Março, mais 5% do que em igual período do ano transacto.

Classificando a performance da Primark como «excelente», o director-executivo da ABF, George Weston, considera que a cadeia de retalho beneficiou de um aumento substancial do espaço de venda, com a reabertura de muitas das antigas lojas Littlewoods. Actualmente, dispõe de um total de 173 lojas.

«Vamos continuar a desenvolver um esquema de abertura de novas lojas em todos os países nos quais operamos, embora as aberturas no próximo ano devam ser a um ritmo mais lento do que em 2006 e 2007», afirmou Weston. O director-executivo disse ainda estar «muito encorajado» pela performance das novas lojas em Espanha, que, até agora, atingiram volumes de venda superiores aos registados no Reino Unido e na Irlanda.

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