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Nova realidade no retalho – Parte 1

Publicada a: 29/04/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Existe a sensação generalizada entre os retalhistas de vestuário de que o negócio não prospera. No entanto, as vendas de vestuário aumentaram em 2008, quer na Europa, quer nos EUA. Será que as estatísticas estão erradas ou tratar-se-á de uma nova realidade que está moldar o retalho internacional?

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Nova realidade no retalho – Parte 1

A crise internacional do crédito não está a criar enormes quebras nas vendas do retalho, apesar dos inúmeros relatórios em contrário. De acordo com o just-style, os lucros dos retalhistas estão sob pressão porque as vendas não estão a crescer tão rapidamente quanto a maioria dos planos empresariais consideraram. No entanto, e de forma ainda mais significativa, os mercados emergentes estão a transformar as suas indústrias de produção em resposta a esta situação.

Existe um enorme desajustamento entre o actual “colapso financeiro” que tem sido noticiado na Europa e nos EUA e o que está realmente a ser comprado e vendido. As estatísticas oficiais do Eurostat mostram que as vendas a retalho nas lojas de vestuário da zona euro aumentaram 3,2% em Janeiro deste ano, relativamente a igual período do ano passado. O departamento de comércio norte-americano mostra que as vendas de vestuário foram 2,3% mais elevadas no último mês analisado – Fevereiro – relativamente a igual período de 2007. Por seu lado, o gabinete de estatística do Reino Unido revela que as vendas de vestuário registaram uma subida de 4,9% em Fevereiro de 2008, relativamente a igual período do ano passado.

Será que estes organismos públicos contabilizam as vendas de forma diferente dos retalhistas? Um pouco, mas o que está a acontecer nos grandes retalhistas de vestuário, não será certamente um descalabro.

Na realidade, as vendas de vestuário na Europa e nos EUA são razoavelmente saudáveis. Mas a crescente concorrência, a orientação para a Internet e a expansão no número de unidades significam que as vendas por estabelecimento não estão a crescer tão rapidamente como o orçamento anual exige ou tão rapidamente quanto os custos operacionais. Por outro lado, nem todos estão a partilhar deste crescimento, por exemplo uma grande proporção do crescimento no mercado britânico provem do retalhista Primark, cuja quota aumentou para 10,1% em Fevereiro partindo de uma base de 8,1% no ano passado (ver A caminho da liderança).

Não existe um colapso generalizado nas vendas (ainda), elas simplesmente não estão a crescer tão rapidamente quanto a maioria dos planos empresariais exigia e não estão a crescer em todo o lado. Com a subida dos custos operacionais e com algumas cadeias a perder quota de mercado, os lucros dos retalhistas está sob pressão. Mas em termos gerais, a crise do crédito não está a criar enormes colapsos nas vendas.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, os fornecedores nos mercados emergentes têm sido inundados nos últimos meses por “especialistas” locais que referem o péssimo impacto que a crise do crédito norte-americano está a ter nas vendas dos clientes ocidentais. Mas isso não é o que está a acontecer. A verdadeira causa da pressão exercida sobre os fabricantes nos mercados emergentes neste momento não é a recessão no Ocidente.

É verdade que as vendas de alguns países (sobretudo da China) para os EUA já começaram a descer. Mas, em Dezembro de 2007, enquanto que os EUA compraram 15% menos vestuário proveniente da China do que no ano anterior, as suas importações cresceram 2,2% em termos gerais. Esta queda de vendas é o resultado do “boom” da China e das reacções chinesas a esse crescimento, mais do que uma inexistente quebra norte-americana.

Na segunda parte deste artigo vamos analisar a mudança de atitude que está a ocorrer a diversos níveis, desde os consumidores até aos grandes centros de produção, passando pelos novos objectivos das opções de aprovisionamento.

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