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Gucci no Mid-Market

Publicada a: 29/04/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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A Gucci está a planear uma entrada mais agressiva no segmento médio de mercado como forma de responder ao declínio das suas vendas. O grupo Gucci que está inserido no conglomerado francês PPR SA, espera com esta medida contrariar o impacto negativo provocado pelo actual clima económico mundial.

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Gucci no Mid-Market

A Gucci está a planear uma ofensiva mais agressiva para promover no mercado os produtos de menor valor da marca. Esta intenção estratégica, revelada por um executivo do Grupo PPR, surge na tentativa de contrariar o declínio das vendas registado no primeiro trimestre de 2008.

Esta decisão é uma das primeiras medidas estratégicas anunciadas por este player do segmento de artigos de luxo para contrariar os impactos do abrandamento do crescimento económico que está a levar à redução do consumo.

Trata-se de uma medida algo inovadora no mercado de artigos de luxo: os produtores de artigos de maior preço e valor acrescentado sempre acreditaram que a melhor maneira de contrariar as “tempestades económicas” era posicionar a sua oferta junto de consumidores com um poder de compra ainda mais elevado para quem a subida dos preços dos combustíveis ou as flutuações cambiais pouco significam em termos de estabilidade financeira.

As vendas da Gucci descerem 3,3%, para os 513 milhões de euros no primeiro trimestre de 2008, sendo a marca com pior performance do grupo PPR. Entre as restantes marcas do grupo encontram-se a Fnac, a Bottega Veneta, a Yves Saint Laurent e a Puma.

A performance da Gucci foi também a pior de entre as marcas do universo da indústria de luxo. As outras marcas mostraram-se mais resistentes ao abrandamento económico registado desde o início do ano.

A marca de luxo Louis Vuitton, do universo LVMH (Ver LVMH à caça de pechinchas) reportou recentemente um aumento de dois dígitos nas suas vendas, enquanto que a Richemont AG, dona da Cartier, anunciou um aumento de 10% nas suas vendas anuais, para os 5 mil e 300 milhões de euros.

Segundo o responsável financeiro da PPR, Jean-François Palus, houve uma razão para o declínio das vendas da Gucci: A marca tem estado excessivamente focalizada na promoção dos seus artigos mais caros, como é o caso da sua mala integralmente em pele "Pelle Guccissima", que é comercializada por 1.880 euros. O movimento de subida da Gucci para as faixas de mercado de maior valor retornou bons resultados para a Gucci em 2007, altura em que a marca apresentou vendas totais no valor de 2.200 milhões de euros.

Ultimamente, e como consequência de uma maior atenção dada aos artigos de maior preço, a Gucci negligenciou os seus artigos mais acessíveis como algumas carteiras comercializadas em torno dos 500 euros. «Foi isto que trouxe os resultados da Gucci para baixo», afirmou Palus, acrescentando que a marca iria voltar a prestar mais atenção aos produtos de preço mais baixo através de uma maior aposta na promoção e em publicidade.

Este “passo em falso” estratégico aconteceu precisamente na altura que os clientes começaram a gastar menos. Com efeito, outro dos factores que determinaram a queda das vendas da Gucci foi a redução do número de pessoas que visitaram as suas lojas no primeiro trimestre. Apesar da abertura de uma nova boutique em Nova Iorque em Fevereiro, os valores globais de visitantes foram inferiores ao ano passado.

Por último, para justificar o declínio das vendas, aparece a queda das encomendas colocadas pelos grandes armazéns e pelas lojas multimarca. «Com o clima económico actual, estes retalhistas estão a ser mais cautelosos nas suas encomendas», concluiu o responsável financeiro da PPR.

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