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Em busca do sonho americano

Publicada a: 30/04/2008
Fonte: portugal Têxtil
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Com a indústria têxtil e de vestuário chinesa a perder fôlego nas exportações para os EUA, as empresas indianas estão a tentar aproveitar esta oportunidade para conseguirem mais quota para os seus artigos no mercado americano. Uma reviravolta que pode marcar a ITV dos próximos anos.

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Em busca do sonho americano

Após um ano de agitação nas exportações devido à valorização da rupia, as empresas de têxteis e vestuário da Índia parecem determinadas a protagonizar uma dramática reviravolta no mercado americano, ajudadas sobretudo por uma série de desenvolvimentos que minaram a vantagem competitiva da China neste mercado. Os exportadores de têxteis e vestuário indianos, que registaram um crescimento negativo no mercado dos EUA durante nove meses até Dezembro de 2007, apresentaram um crescimento de 0,53% em Janeiro de 2008. A reviravolta foi mais evidente em Fevereiro, com um aumento de 8,26%.

A Índia, juntamente com outros dos principais países produtores, como a China, Bangladesh e Vietname, registou um surto nas exportações de têxteis e vestuário para os países com quotas (EUA e UE) imediatamente após a abolição das mesmas em 2005. Contudo, em Abril de 2007, esta tendência reverteu-se no caso da Índia devido à súbita valorização da rupia.

Ao mesmo tempo, a China, o maior fornecedor de têxteis e vestuário para os EUA – as suas exportações para este país atingiram os 32,3 mil milhões de dólares ou seja, um terço do total de importações de têxteis e vestuário americanas em 2007, comparativamente com as exportações de 5,1 mil milhões de dólares provenientes Índia –, registou um crescimento negativo (menos 2,57%) nas exportações para os EUA em Janeiro e Fevereiro de 2008, naquele que é considerado o primeiro crescimento negativo da China nas exportações para o mercado americano em mais de uma década, tal como observa um analista.

Porquê este fluxo? Porque é uma repetição da história, referem os analistas. Na sua evolução, a indústria têxtil mundial assistiu a um crescimento contínuo da sua base. Quando a economia cresce acima de um nível, torna-se desapropriada para um sector têxtil e de vestuário com trabalho intensivo. Aconteceu antes com o Japão, e até anteriormente com os EUA e a UE.

Agora é a vez da China “cortar” na sua indústria têxtil e de vestuário. E para outros produtores competitivos como a Índia, Vietname e Indonésia, esta é a oportunidade de ouro. No caso da Índia, isto será uma realidade durante, pelo menos, as próximas duas décadas (antes da produção têxtil se tornar incompatível com a economia).

A indústria têxtil da China está em declínio. A base de matérias-primas na China (leia-se, o algodão) está a diminuir. A China, cujo consumo de algodão é quase três vezes superior ao da Índia, está a importar 4,5 milhões de fardos indianos. E enquanto que a Índia melhorou consideravelmente a capacidade de produção de algodão recentemente, a China está a enfrentar uma diminuição da sua área dedicada ao algodão, focando-se mais na produção de alimentos como política comum.

Mais importante, e que apoia a teoria da transição económica que torna a indústria têxtil redundante, os salários na ITV chinesa estão a aumentar. Tradicionalmente, os salários chineses eram 30% mais altos do que os da Índia, mas agora esta disparidade está a aumentar, com os salários dos trabalhadores chineses não qualificados ou pouco qualificados a crescerem mais rapidamente do que os dos seus congéneres indianos.

Mesmo no que respeita à taxa de câmbio, a China está agora pior do que a Índia, com o yuan a valorizar 8,52% em relação ao dólar no período de Março de 2007 a Março de 2008, enquanto a rupia aumentou 8,36% durante o mesmo período. É verdade que uma parte substancial dos tecidos produzidos na China está a ser convertida em vestuário no Vietname, que se tornou, por isso, no maior exportador para os EUA, com exportações no valor de 4,6 mil milhões de dólares em 2007. Mas os analistas acreditam que estas exportações indirectas da China podem também diminuir nos próximos meses, deixando uma quota maior do mercado dos EUA para países como a Índia aproveitarem.

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