Os fornecedores, importadores e distribuidores de vestuário enfrentam inúmeros desafios nos próximos meses, incluindo a incerteza política sobre o comércio global, o aumento dos custos na China, a intensificação das pressões na logística e a escalada das preocupações ambientais. A forma como vão resolver estas questões irá provavelmente fazer a diferença entre o sucesso ou o fracasso, conforme foi possível observar do Prime Source Fórum 2008 que decorreu recentemente em Hong Kong.
É melhor subcontratar na China ou noutros países de baixo custo? Existirão outras barreiras comerciais susceptíveis de preencher o lugar das quotas de salvaguarda sobre a China? Como é que a indústria do vestuário concilia a rapidez de resposta ao mercado quando os prazos são ainda de meses em vez de semanas? Estas são algumas das grandes questões que a indústria de vestuário enfrenta neste momento, e que estiveram no centro do debate que marcou o Prime Source Forum.
No que se refere ao aprovisionamento, a China encontra-se na melhor posição ao nível internacional. De acordo com a opinião divulgada no fórum, o país criou a capacidade de produção e a cadeia de fornecimento para responder às necessidades da indústria do vestuário e não existe nenhuma base produtiva alternativa real. Mas a China também tem a sua quota de problemas: a escassez de mão-de-obra nas regiões industriais ao longo da costa, o aumento da inflação e a falta de matérias-primas, os quais estão a originar a escalada dos custos.
Felix Chung, presidente da Hong Kong Apparel Society (HKAS), salientou que a maioria das fábricas de vestuário chinesas estão localizada no delta do Rio das Pérolas onde a taxa média de inflação encontra-se entre os 15 e os 20%, ultrapassando a média do país de 6,8%. Chung explicou que a moeda chinesa registou uma valorização de 26% ao longo dos últimos três anos, incluindo a subida prevista de 8 a 10% em 2008, o que é um enorme problema para as empresas que exportam para o mercado norte-americano. Esta situação é ainda agravada por um aumento de 12,9% no salário mínimo praticado na região do delta do Rio das Pérolas e as expectativas de uma nova redução na bonificação fiscal de exportação ainda este ano.
Outro problema é que as políticas governamentais não são favoráveis ao sector do vestuário. O governo chinês não está apenas a tentar reduzir o elevado excedente comercial do país através do desencorajamento das exportações, está também a tentar equilibrar a disparidade de riqueza entre as províncias interiores e as zonas costeiras, onde estão localizadas as zonas de exportação. «O governo da China deixou claro que quer que as empresas de vestuário se desloquem para a parte ocidental do país», revelou Chung. O responsável acrescentou que se as empresas «permanecerem no delta do Rio das Pérolas, devem actualizar a produção para artigos de valor acrescentado ou criar a sua própria marca». Ao longo dos próximos três anos, vamos assistir à deslocação de fábricas na China e, sem dúvida, que algumas vão deixar o negócio.
Embora mais nenhuma parte do mundo se compare com a China como base de fornecimento, os compradores também podem criar oportunidades noutras regiões. A resposta rápida, por exemplo, favorece o aprovisionamento em países como a Turquia, que estão localizados perto de mercados consumidores como a UE. Vietname, Bangladesh, Indonésia, Tailândia e Filipinas também foram apontados como países a considerar, assim como o Norte de África, o Uzbequistão e o Kazaquistão.
Mas talvez o mais importante concorrente da China seja o sub-continente indiano com a sua oferta de algodão, capacidades para o desenvolvimento do produto e um governo que está a adaptar as suas políticas às necessidades da indústria do vestuário. Na segunda parte deste artigo serão abordados os diversos factores que podem influenciar a evolução do comércio internacional de vestuário.