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Vestuário na berlinda – Parte 2

Publicada a: 06/05/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Existem vários factores que podem ditar a evolução do comércio internacional de vestuário: as barreiras comerciais e o acesso ao mercado, assim como as preocupações com o abandono de fóruns multilaterais em favor de acordos bilaterais para resolver problemas comerciais.

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Vestuário na berlinda – Parte 2

É pouco provável que o futuro do comércio de vestuário dependa apenas de uma eficiente cadeia de fornecimento (ver Vestuário na berlinda – Parte 1). Mesmo apesar da diminuição das quotas e das tarifas, é evidente que outras barreiras comerciais vão tomar o seu lugar. Por exemplo, o acesso ao mercado dos EUA está agora a ser afectado por questões como os direitos humanos, o ambiente e a responsabilidade social. Existem também grandes preocupações em relação à forma como as questões comerciais estão a ser abordadas nas actuais campanhas eleitorais. É também preocupante o abandono de fóruns multi-laterais para resolver problemas comerciais, em favor do estabelecimento de acordos bilaterais.

Tanto Scott Quesenberry, negociador especial para os têxteis no gabinete do representante norte-americano para o comércio, como Rufus Yerxa, director-geral adjunto da Organização Mundial do Comércio (OMC), confirmaram que as quotas de salvaguarda dos EUA sobre as importações chinesas de têxteis e vestuário vão terminar, como previsto, no final deste ano. Mas admitiram que existem ainda determinadas disposições no âmbito das quais um país pode impor medidas temporárias de salvaguarda ou instigar a aplicação de taxas anti-dumping ou de compensação.

Outra possível limitação para o crescimento do comércio mundial de têxteis e vestuário é uma deficiente infra-estrutura logística. George Goldman, vice-presidente e director da APL Logistics para a região de Hong Kong e Sul da China, advertiu que, embora dois terços do tráfego por contentor sai ou chega à Ásia, «o resto do mundo está a fazer um mau trabalho» ao nível da recepção destes bens. «O congestionamento em portos nos EUA irá aumentar no curto prazo», afirmou Goldman, citando previsões de que até 2012 todos os portos do país estarão em plena capacidade ou perto dela. É necessário encontrar entradas alternativas para os EUA, tais como o encaminhamento através do Canadá, e são necessários investimentos também na UE.

As empresas que realizam o seu aprovisionamento através de fabricantes que se deslocam para o interior da China também terão de considerar os factores tempo e custo do transporte. Não só porque a rede ferroviária do país fica aquém do desejado, com apenas 3% do volume a ser transportado em contentores, mas as distâncias envolvidas podem aumentar o tempo de logística em cerca de quatro horas, de acordo com as estimativas de Felix Chung.

A indústria da moda tem tudo a ver com mudança, mas estará preparada?

Os clientes exigem rapidez no acesso ao mercado, a qual é traduzida em prazos de entrega de duas semanas, mas estes parâmetros são apenas referenciais. Na realidade, os prazos encontram-se ainda em meses em vez de semanas. Um dos maiores custos para os fornecedores é a necessidade de promoções para escoar stocks. Com as cadeias de fornecimento cada vez mais complexas, Bob McKee, director de estratégia de moda na Lawson Software, salienta que sistemas correctos são fundamentais para assimilar e partilhar todos os dados que possibilitem realizar boas decisões de aprovisionamento. Isto poderá ajudar os fornecedores da indústria de retalho a diminuírem os seus riscos de promoções.

As questões de responsabilidade social das empresas como os direitos laborais, as questões de ética, a gestão corporativa e a conformidade são muitas vezes consideradas um mal necessário. Fornecedores e vendedores consideram-nas como opressoras, ao mesmo tempo que os retalhistas em geral sentem-se sob pressão para cumprir. Mas a maioria reconhece que o cumprimento tem de acontecer.

A força motriz para este cumprimento, de acordo com Ted Sattler, vice-presidente executivo de operações estrangeiras do grupo Phillips Heisen-Van Corp, é a sua rentabilidade. Sattler acrescenta ainda que os consumidores estão a comprar o conceito de empresas respeitadoras do ambiente e que existem mesmo diversos fundos a investir em empresas com boa cidadania e responsabilidade social.

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