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Boss apoia boicote

Publicada a: 06/05/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Depois da H&M, foi a vez da Hugo Boss “bater com a porta” à lã australiana. A indústria laneira do país está ainda a tentar dar a volta à situação, mas os esforços realizados até à data para encontrar soluções alternativas à prática de mulesing não são ainda suficientemente convincentes para alguns players.

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Boss apoia boicote

A Hugo Boss anunciou em Abril que vai boicotar a lã australiana, mas a indústria do país ainda não desistiu de tentar convencer o gigante alemão da moda a mudar a sua decisão. A empresa confirmou inclusive que foi convidada pelas autoridades de comércio australianas para visitar as quintas de ovelhas do país numa tentativa de impedir o boicote à lã de ovelhas que tenham “sofrido” a prática de mulesing (que consiste na remoção de um pedaço de pele à volta do rabo das ovelhas para prevenir as infestações de larvas).

O convite pessoal, para «vir e visitar» as quintas do país, foi feito pelo governo da Nova Gales do Sul e por um grupo de criadores de ovelhas da região. O Ministro das Indústrias Primárias da Nova Gales do Sul, Ian Macdonald, disse no convite que estava «desapontado» por saber que a Higo Boss pretendia acabar com o uso de lã de quintas que recorrem à prática de mulesing, incluindo a alternativa de clip.

Num comunicado enviado para o site just-style, a Hugo Boss confirmou que «recebemos o convite de Ian Macdonald, para verificarmos pessoalmente os esforços dos criadores para protegerem as suas ovelhas. O COO da empresa, Hans Fluri, irá contactar Macdonald directamente sobre este assunto. Na Hugo Boss estamos muito interessados em ver pessoalmente a situação que os criadores têm de enfrentar. Por isso, o nosso director na Austrália já aceitou um convite deste tipo no passado. Em nome da Hugo Boss, Brokelmann irá combinar um horário e um local com o ministro, e continuar a discussão. Além disso, iremos reunir-nos com a AWI Task Force nos nossos escritórios, para abordar este tema».

Quanto ao convite, Macdonald afirma que «é um simples caso de desinformação – é por isso que queremos que os representantes da Hugo Boss visitem os criadores do nosso estado e vejam em primeira mão que os criadores estão a fazer o melhor que podem para prevenir os ataques de larvas, que é uma das questões que mais afecta a nossa indústria de lã».

O presidente da Associação de Criadores de Nova Gales do Sul, Jock Laurie, considera que é importante que a Hugo Boss baseie qualquer decisão comercial «com base nos factos e não no que possam ter ouvido dos grupos de defesa dos animais». Acrescentou ainda que «o anúncio da Hugo Boss é uma preocupação para a indústria, sobretudo quando milhões de dólares e muitos anos de pesquisa foram já investidos para desenvolver alternativas não cirúrgicas como os “breech clips”».

O anúncio da Hugo Boss torna-a na mais recente empresa a boicotar o uso de lã australiana tal como pedido pelos grupos de defesa dos animais como a PETA, que sustentam que a prática é cruel e exigem uma alternativa.

A Hugo Boss, que opera mais de 1.000 lojas em 100 países e tem um volume de vendas na ordem dos 2 mil milhões de dólares anuais, juntou-se assim a cerca de 50 empresas, incluindo a H&M (ver H&M em defesa dos animais), Abercrombie & Fitch, Timberland e a Matalan (ver Matalan junta-se ao boicote) que anunciaram o boicote à lã australiana.

Também a americana Perry Ellis International avisou que os seus compradores não vão comprar mais lã aos fornecedores que usem a prática de mulesing. A Perry Ellis, uma das maiores retalhistas de vestuário de homem e sportswear, com um volume de negócios anual de 830 milhões de dólares, adere assim ao boicote à lã australiana. O presidente Oscar Feldenkreis revelou que a empresa vai manter-se em contacto com a indústria de lã australiana, mas assegurou que a «Perry Ellis International tem um compromisso de longa data para com o bem-estar dos animais».

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