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Luxo no masculino

Publicada a: 07/05/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Até agora mais conotado com o universo feminino, o vestuário de luxo está a alargar o seu posicionamento. Exemplo disso é o maior direccionamento para o universo masculino das marcas de luxo mundiais presentes na Índia, um segmento em franco crescimento.

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Luxo no masculino

Parece que, afinal, as mulheres não são as únicas que se preocupam com as compras de vestuário. Com efeito, os novos “alvos” das marcas de luxo de moda mundiais na Índia são os homens. Uma mudança estratégica já que as conclusões da indústria revelam que, do total do mercado de vestuário de luxo, o vestuário masculino representa uma quota maior do “bolo” total do que o das mulheres.

Não é por isso de espantar que mais de meia dúzia de marcas de topo, incluindo Giorgio Armani, Canali, Corneliani, Kenzo, Brioni, Pal Zileri e Zegna, estejam a abrir lojas independentes na Índia só para homem. E algumas têm planos agressivos de expansão na frente masculina.

As estatísticas dizem tudo: os homens indianos gostam de vestir-se bem e estão dispostos a gastar muito tempo e dinheiro a arranjar-se. Com efeito, um relatório da Ernst & Young (E&Y) coloca o segmento do vestuário de luxo masculino – que compreende marcas cujos preços são superiores a 2.500 rupias (cerca de 40 euros) – em 11% do total do segmento de vestuário masculino de marca. O mercado de vestuário de luxo, no caso das mulheres, representa apenas 9% do total do mercado de vestuário de marca feminino. Nos últimos três anos, o mercado de vestuário de luxo para os homens tem crescido a taxas entre 25% e 28%, em comparação com os 32% a 35% para as mulheres.

De acordo com Ashok Rajgopal, que faz a análise do consumo e do retalho para a E&Y, «o segmento de vestuário masculino representa um alvo apetecível para os retalhistas. Com a mudança de estilos de vida e a crescente popularidade do homem metrossexual, há um aumento da procura e dos gastos dos homens em produtos e serviços que vão ao encontro das suas necessidades estéticas. Além disso, os homens são muito conscientes da marca, fazendo a maior parte das suas compras no vestuário de marca, sobretudo no segmento do luxo».

O “valor líquido” do homem indiano é bem evidente. A conhecida marca italiana Giorgio Armani vai abrir a sua primeira loja no centro comercial de luxo DLF Emporio na capital da Índia. De igual forma, também a Brioni, a marca italiana de fatos de luxo, inaugurou recentemente um ponto de venda em Deli, após ter conseguido bons resultados na sua primeira loja em Bombaim (ver Brioni acima da crise). Deste modo a marca está também a contemplar a entrada noutras cidades a curto prazo. Conrad Curry, gestor da Brioni na Índia, sente que a vontade de gastar mais para parecer bem faz dos homens indianos um grupo alvo ideal.

Os especialistas sentem que a mudança do estilo de vida tem também contribuído muito para que os homens “subam a escada” para marcas mais luxuosas. «Já não é um tabu social para os homens arranjarem-se. Mais, a pressão social “obriga” os homens a gastar tempo e dinheiro a arranjarem-se. Uma vez que o tempo é precioso, a ênfase é posta nos gastos em artigos de luxo que instantaneamente acrescentam valor para o reconhecimento social», afirma Srinath Sridharan, vice-presidente e director das holdings Wadhawan, distribuidores na Índia de marcas internacionais como Ed Hardy e Christian Audigier que alberga gamas de roupa masculina Premium.

Não admira, por isso, que haja espaço para novas tendências no mercado e que os homens estejam a apreciar cada minuto de atenção. Adarsh Amin, director-geral da Pal Zileri India, assegura que o homem indiano actual é certamente mais consciente da sua aparência e das tendências de moda. «Dantes era difícil ver um homem com uma gravata, mas agora os indianos estão prontos a aceitar tudo isso e a seguir o que é ditado internacionalmente. Os homens sempre foram conscientes do seu visual, mas só agora é que estão a expressar o seu interesse e a cuidar da sua aparência sem os anteriores níveis de hesitação», refere. A marca italiana Pal Zileri tem actualmente uma loja em Deli e abriu recentemente uma segunda em Mumbai.

De igual modo, a marca de luxo Canali abriu uma loja em Hyderabad no ano passado e está a planear abrir mais seis no próximo ano e espalhar-se por cidades como Deli, Bombaim, Bangalore, Ludhiana e Chennai.

Sanjay Kapoor, director-geral da Genesis Luxury, a empresa que tem os direitos de comercialização e distribuição da Canali na Índia, afirma que a consciencialização tem tido um papel fundamental nesta mudança. «Os homens sempre gastaram em objectos de desejo, sejam carros ou gadgets electrónicos. Mas o seu padrão de compra estende-se agora também a outros artigos de luxo. O que tem contribuído para isso são os esforços concentrados das marcas de luxo para educar os consumidores. Isso ajuda a criar uma forte atracção aspiracional, até mesmo para os homens».

A maior parte destas marcas masculinas de vestuário têm conhecido bons resultados desde que chegaram à Índia. Isso também os tem levado a expandir o negócio por várias cidades do país. A marca italiana Zegna, por exemplo, tem registado resultados mensais ao encontro das expectativas. O mesmo se passa com a sua congénere Corneliani que tem conhecido crescimentos anuais na ordem dos 30%-40% (ver Luxo casual).

Homens significam, assim, negócio para as marcas de luxo mundiais que estão a apostar na nova era dos homens conscientes da imagem na Índia. E as escolhas estão a aumentar todos os dias para os Indianos.

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