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Hong Kong inquieta

Publicada a: 14/05/2008
Fonte: Alexandra Costa
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Se do lado dos produtores europeus, é evidente a necessidade de controlar as importações chinesas para a União Europeia, os exportadores de Hong Kong têm, evidentemente, uma visão diferente do sistema de duplo controlo e, face aos dados actuais, mostram-se preocupados com um possível retorno ao sistema de quotas.

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Hong Kong inquieta

Depois do controverso processo de liberalização do comércio de produtos têxteis e de vestuário entre a China e a UE, os exportadores de Hong Kong temem agora as consequências do aumento das exportações chinesas nos produtos sob o sistema de monitorização de duplo controlo. O actual regime vai manter-se em vigor até ao final de 2008, contudo a UE não excluiu a possibilidade das quotas serem novamente activadas no futuro, caso as importações para a UE sofram um aumento significativo.

Os comerciantes de Hong Kong estão a ser alertados para o facto de, segundo os dados estatísticos disponíveis, as exportações de vestuário e têxteis terem sofrido um aumento nos primeiros meses de 2008. Com efeito, os dados disponíveis mostram que, em comparação com 2007, as exportações de têxteis e vestuário sujeitos ao sistema de controlo cresceram.

Os números revelam que as exportações previstas para 2008 para o grupo IB (que inclui as blusas) e o grupo IIB (que inclui os vestidos) registam subidas consideráveis, cerca de 30%, em comparação com 2007. de igual modo, a quantidade agregada de exportações estimadas para 2008 para o grupo IIA (que engloba a roupa de cama) e Grupo IV (que inclui fios de linho) apontam para um aumento de 17% em comparação com 2007. Se estes aumentos se confirmarem, a UE pode não concordar com o fim do sistema de duplo controlo em 31 de Dezembro de 2008. Pelo contrário, pode mesmo recorrer a novas medidas de salvaguarda, sobretudo nas categorias que registaram aumentos, o que tem posto em alerta os exportadores de Hong Kong. É, porém, demasiado cedo para fazer previsões finais no que respeita à futura regulamentação do comércio em têxteis e vestuário para 2009 e anos seguintes. No entanto, os desenvolvimentos actuais não podem deixar de preocupar aqueles que querem que o comércio destes produtos seja totalmente liberalizado.

Uma decisão para impor medidas de salvaguarda não seria, de facto, uma surpresa, na medida em que os comerciantes de Hong Kong têm registado várias acções e queixas da UE relativamente a vários produtos produzidos na China. Para eles, é mais do que evidente que o relacionamento comercial actual não é o ideal e registam, com algum desagrado, que ainda há muita pressão de vários membros da UE para refrear a liberalização do comércio com a China. Com efeito, muitas partes interessadas estão actualmente a desenvolver esforços para convencer a UE a impor medidas de restrição ao comércio em diversos produtos provenientes da China continental.

Os produtores têxteis e de vestuário europeus permanecem particularmente activos neste aspecto e, segundo os exportadores de Hong Kong, estão apenas à espera de um sinal antes de pressionarem com uma campanha para controlar a liberalização. Já em Outubro de 2007, quando foi estabelecido o acordo para a introdução do sistema de duplo controlo, a Organização Europeia de Têxtil e Vestuário (Euratex) declarou que esperava apenas um «crescimento limitado» das importações chinesas em 2008. Qualquer crescimento excessivo não será apreciado pela indústria de produção de têxteis e vestuário europeia, que não deverá hesitar em tomar as medidas necessárias para salvaguardar os interesses do sector. 

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