O comércio on-line em França, que aumentou 25% em 2007 para atingir os 11,7 mil milhões de euros de volume de negócios, foi sobretudo impulsionado pelo vestuário e pelos equipamentos para a casa, de acordo com um estudo efectuado pela empresa Benchmark Group, especialista em novas tecnologias, que questionou 65 sites de comércio electrónico e mais de 5.000 compradores pela Internet.
«Mais de 20 milhões de franceses compram agora on-line e cerca de quatro em cada dez franceses já compraram na Internet», revela o estudo. No entanto, após um crescimento de 33% em 2006, o comércio electrónico francês refreou-se ligeiramente no ano passado devido ao «abrandamento do crescimento do sector dos produtos culturais (CD’s e DVD’s) ligado aos downloads ilegais», comentou o analista Gilles Blanc, em declarações à AFP.
Em 2007, os crescimentos mais fortes registaram-se nos têxteis e no vestuário (mais 33%) graças ao desenvolvimento de sites de vendas privados, mas também no sector dos equipamentos para casa (mais 32%). «Este sector é ainda marginal no comércio electrónico, mas promete um grande desenvolvimento porque apareceram novos actores no mercado e porque os gigantes do sector, como o Ikea, alargaram bastante a sua gama de produtos», explicou Blanc.
O turismo mantém-se como o sector mais importante do comércio electrónico (representa 46,5% das vendas), seguido dos equipamentos tecnológicos (electrónica, informática), que representam 26%.
Em 2008, o Benchmark Group prevê que as vendas on-line atinjam os 14 mil milhões de euros, ou seja, uma progressão de 20%, graças à «entrada permanente de novos compradores on-line» e à «sofisticação e optimização das ferramentas de marketing e de comunicação». «Nos EUA, que levam um avanço de dois ou três anos em relação à França ao nível do comércio electrónico, a progressão das vendas estagnou à volta dos 20%, e acreditamos que isso se irá reproduzir connosco», antevê Blanc.
O perfil dos compradores on-line também evoluiu, como sublinha o estudo. «Em 2000, o comprador tipo era um homem jovem e activo, urbano e com um nível de estudos elevado», sublinhou Blanc. Actualmente, «45% dos clientes são mulheres e há um forte crescimento das famílias com rendimentos mais modestos e dos que têm mais de 55 anos, que representam agora 15% dos compradores».
A região de Paris é cada vez menos o centro do comércio pela Internet, já que 75% das compras foram efectuadas a partir de outras regiões.
Os sites mais concorridos, de acordo com o Benchmark Group, são o Voyages-sncf.com (mais de mil milhões de euros de volume de negócios em 2007), Cdiscount (generalista), Opodo (viagens) e La Redoute (vestuário). Cada um destes sites realizou várias centenas de milhões de euros em vendas em 2007, realça o gabinete de estudos.
Em termos europeus, o comércio electrónico está muito mais generalizado no norte da Europa do que no sul. Na Dinamarca, Holanda, Reino Unido e Alemanha, 50% da população compra através da Internet, contra 30% em França e 10% em Itália. Um outro dado que vem comprovar esta distinção prende-se com os gastos anuais em compras através da Internet: um comprador francês gasta em média 638 euros por ano na Internet, enquanto que um comprador britânico gasta, em média, 1.662 euros.