Première Vision

 

Menos extravagância, mais elegância

Publicada a: 10/07/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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3.5
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Os quatro dias de desfiles de Alta-Costura Outono-Inverno 2008/09 em Paris, que contaram no primeiro dia com o português Felipe Oliveira Baptista e no último com o espanhol Josep Font, revelaram uma moda refinada, onde o luxo e a exuberância habituais deram lugar a uma maior criatividade e descrição.

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Menos extravagância, mais elegância

Terminou mais uma semana de moda em Paris e a primeira impressão dos quatro dias de desfiles deixa antever uma moda refinada, mas sem grandes extravagâncias, provavelmente devido ao difícil contexto económico mundial, ao qual não escapa nem mesmo o maior sector de luxo: a Alta-Costura. «A estação foi menos exuberante do que é habitual e muito mais plácida», confirmou o especialista Donald Potard. Essa tendência ficou patente na apresentação da Christian Dior, onde John Galliano moderou o seu ímpeto revolucionário numa lição de talento e elegância. «Dior é um barómetro», sublinhou Florence Müller, acrescentando que «há um novo classicismo no mundo da moda. Os estilistas captam novos ares, a ideia de que as mulheres desejam roupas que as façam belas. Ficou para trás a busca obsessiva por conceitos». No entanto, todas estas mudanças não são sinais de crise. Segundo Alessandra Facchinetti, estilista da casa Valentino, «quando se diz que a alta-costura não tem futuro, é uma mentira. Isto porque muitas das nossas clientes pedem novos modelos e propostas para o dia e há também toda uma nova clientela entre as novas gerações e nos mercados emergentes». Para Alessandra Facchinetti, esta foi a sua primeira colecção Valentino de Alta-Costura em Paris. «Trata-se de uma colecção sem teatralidade, que se concentra na funcionalidade que uma roupa sempre deve ter. Uma colecção para vestir. Valentino foi também nisso um mestre», afirmou a estilista, acrescentado ainda que «na minha abordagem, porém, não há nada de nostálgico». Deixando um pouco de lado o vermelho emblemático de Valentino, Facchinetti apresentou uma linha de vestidos curtos enfeitados com folhas de organza nas costas, em tons claros e adornados com bordados delicados.

Christian Lacroix, por sua vez, mostrou uma colecção obscura, repleta de rendas negras, bordados de azeviche enfeitando casacos e vestidos estreitos e curtos com mangas volumosas. A colecção foi inspirada «no mundo dos insectos», como explicou Lacroix. Já Riccardo Tisci, para a Givenchy, deixou-se inspirar pelo Peru, convidando a uma viagem até Machu Picchu através de uma colecção de vestidos-ponchos às riscas em castanho e bege. Ponchos esses de organza de seda rosa bordados com franjas de cristal, grandes chapéus andinos redondos e estampados. Em contrapartida, o libanês Elie Saab, voltou os olhos para as belezas das pinturas do Renascimento para criar uma colecção que, tal como o próprio espírito dos séculos XV e XVI, foi composta exclusivamente por vestidos de noite de gala e boleros para festas palacianas, além de grandes vestidos vermelhos bem ao estilo de Hollywood.

Mas nem só as célebres casas animaram os desfiles de Alta-Costura de Paris. Os jovens estilistas convidados, que vão despontando a cada ano, foram um dos maiores destaques do evento, nomeadamente o brasileiro Gustavo Lins e o português Felipe Oliveira Baptista. Destacando-se, mais uma vez, pelo talento e capacidade de inovar, ambos fizeram como que os críticos e o público se rendessem às suas propostas. No caso do estilista português, decidiu suavizar a construção escultural, uma de suas principais características, e optar por modelos mais puros, com volumes localizados e contraste de cores e tachas douradas. «Queria uma colecção chique, mas um chique sem pretensão», afirmou Felipe Oliveria Baptista no final do seu desfile. O estilista explicou ainda que optou desta vez por «formas mais suaves, mais brandas», e uma «linha mais apurada porque queria ver de outra maneira os clássicos intemporais, para fazer algo distinto». Outro dos novos estilistas em destaque foi o espanhol Josep Font que, com uma colecção refinada e de corte perfeito, cheia de referências à cultura e tradição espanhola, consagrou-se nesta que foi a sua segunda participação nos desfiles de Alta-Costura de Paris como digno sucessor de Cristóbal Balenciaga.

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