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Afirmações da moda

Publicada a: 11/09/2008
Fonte: Portugal Têxtil
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Cada vez mais as afirmações de moda assumem valores diferentes. Os sapatos, por exemplo, falam cada vez mais alto, como demonstram as colecções de Stella McCartney, enquanto que a Valentino continua a apostar no luxo dos materiais e nos cortes irrepreensíveis e Chalayan aposta na irreverência e originalidade absolutas.

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Afirmações da moda

Qualquer um que se questione sobre o que conduz a moda por estes dias não precisa de ir mais longe do que ver o último desfile de Stella McCartney. Especialmente os seus sapatos. Quando uma designer vegetariana surge com gamas de acessórios que não usam couro é uma aposta segura que ela não o fez pelo simples prazer de ver quão longe se pode ir com um pedaço de pele de ovelha falsa.

McCartney sabe que os sapatos são a maior afirmação de moda que uma mulher pode fazer actualmente. A sua passa pelas plataformas patenteadas – quer sejam botins ou sapatilhas – ou pelas botas pelo joelho feitas a partir de alguma coisa que parece pele de ovelha mas que não é.

Se os aspectos éticos do PVC e das peles falsas ultrapassam o lado ambiental é discutível, mas ela não é a única designer famosa a dar aos materiais que costumavam ser um estigma dos pobres um brilho luxuoso.

A definição de luxo está em mudança, sobretudo agora que a Tesco vende camisolas de caxemira a menos de 20 libras. Será que o “verdadeiro” luxo de tornou, ainda mais, a solução preferida pelos designers na sua viagem para as peles exóticas e caxemira de elevadíssima qualidade? Ou o luxo foca-se na originalidade?

As roupas de McCartney, verdade seja dita, são muitas vezes simples: uma túnica solta, em veludo azul com mangas em borboleta apanhada atrás para dar movimento; casacos grandes e soltos em malha suave; vestidos com cintura descida com bainhas em balão e o mini-vestido preto sem alças.

Com a excepção do mini-vestido preto sem alças, estas são roupas que – no melhor sentido possível – trazem à memória serões numa casa antiga numa quinta, com apenas a televisão por companhia. Mas essa talvez seja a vida de McCartney actualmente. As suas roupas não são sensuais de uma maneira previsível. No entanto, há claramente qualquer coisa de atractivo numa mulher que se sente confortável com o que veste e suficientemente relaxada para deixar que os sapatos façam as declarações necessárias.

Já Valentino nunca esteve confuso quanto ao luxo. Para ele, sempre foram os melhores e os mais bonitos tecidos. A sua sucessora, Alessandra Fachinetti, de 35 anos, tem a formidável tarefa de tomar as rédeas depois da sua reforma após 45 anos de carreira. É ainda mais intimidante, porque a designer recebeu o mesmo desafio que na Gucci. Depois de Tom Ford ter saído em 2004, Alessandra Fachinetti produziu uma primeira colecção satisfatória mas vacilou na altura de prosseguir as coisas. Foi despedida um ano depois.

Para a Valentino, Fachinetti produziu uma primeira colecção mais do que satisfatória – desenhando sobre os muitos arquivos de Valentino e servindo as suas muito amadas saias em tulipa, casacos de estilo militar, blusas em chiffon e renda e um conjunto de vestidos de noite sem alças e de cintura subida com um corte irrepreensível e uma nova leveza jovem que deve manter os actuais clientes de todas as idades satisfeitos. Mas o grande teste de Fachinetti vai ser quando ela tentar reinventar Valentino para uma nova era.

Mas o luxo pode ser também um par de sapatilhas. Por isso a Puma contratou Hussein Chalayan (o do vestido que se transforma numa mesa) como director criativo (ver Puma contrata Hussein Chalayan). Uma espécie de reacção à bem sucedida colaboração da Adidas com McCartney. Chalayan é um dos designers mais “tecnológicos”. A colecção que mostrou para a sua própria marca em Paris apresentou os habituais eléctrodos – desta vez à volta da cintura das manequins. Uma espécie de declaração sobre as tendências auto-destrutivas da Humanidade. O conceito foi a evolução humana, com joalharia ao estilo dos Flinstones no início, vestidos pretos em seda no meio e um final que parecia as mais recentes afirmações de moda de bombistas-suicidas e que não foi apreciada por todos. Uma irreverência que, apesar de tudo, capitaliza a imagem da Puma e uma originalidade que muitos estão dispostos a pagar.

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