Os últimos dados da indústria mostram que os consumidores do Reino Unido gastaram mais de 26,5 mil milhões de libras (cerca de 33,37 mil milhões de euros) em compras on-line nos primeiros seis meses de 2008, apesar da crise no crédito – mais 38% do que os 19,2 mil milhões de libras registados no primeiro semestre de 2007.
O estudo IMRG Capgemini e-Retail Sales Index mostra que as vendas on-line estão a mostrar-se mais resistentes às difíceis condições de comércio, com os “consumidores frugais” a procurar manter a maior parte do seu rendimento disponível longe da high street.
Estes indicadores resultam dos dados enviados por cerca de 60 retalhistas on-line, que contribuem regularmente com dados para o índex, incluindo o Arcadia Group, a Asos e a Figleaves.com.
As vendas de vestuário on-line beneficiaram, até agora, de níveis particularmente elevados de crescimento em 2008, com os compradores britânicos a gastarem on-line 1,76 mil milhões de libras em vestuário no primeiro semestre de 2008. Em destaque esteve o mês de Março, no qual os consumidores gastaram um valor recorde em vestuário, representando um crescimento mensal de 21,8% e mais 31,2% do que em Março de 2007.
A empresa de consultoria em soluções tecnológicas Capgemini e o grupo da indústria de retalho electrónico IMRG prevêem que o crescimento on-line va manter-se igualmente forte no resto do ano, em parte devido ao aumento do custo dos combustíveis e à diminuição do rendimento disponível.
Mike Petevinos, director de consultoria para o retalho da Capgemini UK, afirma que, «apesar do retalho on-line não ser imune à crise do crédito, está a mostrar mais resiliência do que a high street. O comércio electrónico continua a aumentar a sua quota no retalho graças aos tradicionais factores de conveniência e escolha, mas estes factores parecem ter sido ampliados pelo actual ambiente económico. A conveniência tem uma importância maior num mundo em que os preços estão a aumentar e a capacidade de pesquisar e tomar decisões mais informadas numa altura em que a maior sensibilidade ao preço é uma vantagem-chave do canal on-line.
«Prevemos que entre 30 e 50% de todo o retalho estará on-line nos próximos cinco anos, com novos factores, como a sustentabilidade, a serem adicionados ao conjunto. Isto porque com o on-line a atingir 20% de todas as vendas de retalho, os retalhistas atingem um ponto em que são forçados a repensar seriamente a viabilidade futura do seu modelo de negócio. Vimos isto acontecer para livros, música, DVD’s e artigos electrónicos, e com a indústria como um todo a atingir este ponto em 2008, mais categorias devem seguir-se».