O Governo chinês decidiu aumentar a bonificação fiscal para alguns tipos de produtos têxteis e de vestuário, com o objectivo de aliviar as preocupações dos exportadores. As reduções fiscais para a exportação de seda, fios de lã, fibras artificiais e produtos de algodão foram aumentadas em 2 pontos percentuais, para os 13% no dia 1 de Agosto.
Desde 2007 que o sector têxtil do país se encontra numa posição delicada. Ao longo do primeiro semestre do corrente ano o sector assistiu ao encerramento de mais de 10.000 empresas, enquanto que a margem de lucro média das restantes desceu para os 0,62%, segundo dados da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China.
Os fabricantes localizados em alguns dos tradicionais focos têxteis do país estão gradualmente a perder a confiança. Um relatório emitido pelo China National Textile and Apparel Council (CNTAC) refere que 60 dos 600 fabricantes têxteis em Jiangyin, no litoral leste da província de Jiangsu, encerraram a sua actividade. Mais de 3.000 empresas têxteis em Zibo na província de Shandong, perderam cerca de 30% das suas encomendas para países vizinhos.
Além disso, as exportações de têxteis e de vestuário do país cresceram 9,69% durante o primeiro semestre deste ano, evidenciando uma quebra de 7,28 pontos percentuais relativamente ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Gabinete Nacional de Estatística do país.
Alguns analistas referem que o aumento da bonificação fiscal poderá aumentar os lucros dos exportadores em cerca de 2%, o que custaria às finanças centrais do governo cerca de 29 mil milhões de dólares. Gao Yong, director do CNTAC, refere que o aumento das reduções fiscais será um alívio oportuno para as empresas têxteis do país, cujo volume de exportação poderia registar um aumento. Mas acrescentou que não será uma solução permanente.
«Os grandes problemas que contribuem para prejudicar a nossa indústria continuam a existir, tais como a valorização do yuan, a inflação dos custos internos e a quebra na procura externa», afirma Gao. «A tendência decrescente do sector vai, por isso, apenas encontrar uma almofada, mas não uma inversão».
A maioria das empresas têxteis recebeu com tepidez a notícia da bonificação fiscal, de acordo com um relatório apresentado no jornal Yangcheng Evening News. Yongli Wang, vice-director geral do Guangdong Silk-Tex Group, disse ao jornal que a sua empresa pode agora receber um acréscimo de 0,019 dólares por cada 1 dólar no valor das exportações, mas que o montante ainda é demasiado baixo para compensar os custos crescentes.
Gao fez eco da opinião de Wang, referindo que o abatimento fiscal dificilmente poderia desafiar os factores que estão a deteriorar o sector têxtil. Zhao Meiling, analista da Essence Securities, referiu à Beijing Review que, embora o lucro anual do sector têxtil do país possa aumentar em 902 milhões de dólares, teriam de ser partilhados por mais de 80.000 produtores.
Na segunda parte deste artigo, vamos continuar a analisar os factores que estão a prejudicar a indústria têxtil e de vestuário chinesa.