Marithé&François Girbaud é um nome de peso para a Ingeo, que pode lançar-se de vez na esfera da moda, sobretudo em França. Sensível às inovações têxteis tanto como à questão ambiental, a marca francesa incluiu na sua colecção Outono-Inverno 2008/09 duas saias produzidas com esta fibra, obtida a partir de uma fonte renovável – o milho. Curtas, rodadas e ornadas de flores recortadas a laser, estes modelos – um amarelo e outro azul-céu – não são contudo, para a dupla de criadores, uma extravagância. O criador François Girbaud acredita que, nas próximas colecções, esta fibra poliláctida, com venda autorizada na Europa desde 2004, deverá estar ainda mais presente, adiantando o quanto apreciou a forma como “prende” a cor, mas sobretudo o seu carácter ecológico. Com efeito, mesmo que a química intervenha na produção do polímero, a matéria-prima – o milho –, utilizada em substituição do petróleo, provém, tal como já referido, de uma fonte renovável. Além disso, a produção da Ingeo requer de menos energia e o produto é biodegradável.
Para a Natureworks (a empresa criada pela Cargill Dow e pela Teijin), que lançou o “bioplástico” Ingeo no início de 2000, esta parceria é particularmente importante. No entanto, esta está longe de ser a primeira utilização da fibra no vestuário. Marcas italianas e americanas já a aplicaram em t-shirts (Nadia Fassi), camisas de homem (Dbclab) e meias (FoxRiver). Contudo, o impacto gerado por uma marca de moda como a Marithé&François Girbaud – cujo lançamento dos seus produtos Ingeo (nas lojas desde Julho) é explicado ao consumidor – é um grande trunfo para esta fibra e, por consequência, constituirá um novo impulso para a sua aplicação neste sector. Para já, as encomendas da Ingeo para aplicações em vestuário representam 20% da produção da Natureworks. Em 2009, o grupo prevê que a produção atinja a sua plena capacidade, com 140.000 toneladas de biopolímero a sair anualmente da sua fábrica. Este “plástico natural” é ainda aplicado em embalagens, não-tecidos e colchões.
A empresa quer dar a conhecer melhor todas estas diversas possibilidades da Ingeo. «Para incitar o consumidor a comprar os produtos “amigos” do ambiente, é preciso dar-lhe a conhecer a oferta», observa Stefano Cavallo, director de marketing para a Europa. Para isso, a Natureworks pretende atravessar os três continentes que constituem o seu mercado (América, Europa e Ásia) para apresentar os produtos Ingeo. Questionado sobre os organismos geneticamente modificados de milho utilizados, já que este último é unicamente americano, Stefano Cavallo contorna a questão explicando que há uma pequena produção da Ingeo em que a matéria-prima é traçável e garantidamente sem organismos geneticamente modificados… mas isso tem necessariamente um custo. Quanto à guerra “alimentação contra bioplástico”, o director de marketing assegura não utilizar mais de 0,04% da produção mundial de milho para produzir a Ingeo, mas admite que a empresa está a trabalhar actualmente na possibilidade de «utilizar no futuro biomassa em vez de cereais» para extrair esta matéria-prima indispensável à produção da Ingeo.