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Quem precisa das exportações? – Parte 1

Publicada a: 08/06/2009
Fonte: Portugal Têxtil
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4.4
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A Indústria Têxtil e do Vestuário brasileira, com um mercado interno de 200 milhões de consumidores e um PIB em crescimento constante, mesmo no actual período de crise internacional está claramente virada para “dentro”. Mas será que quer continuar assim?

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Quem precisa das exportações? – Parte 1

Apesar de possuir objectivos de exportação ambiciosos, através do programa de promoção Texbrasil, muitas das empresas da Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) brasileira estão mais profundamente centradas no mercado interno, cativadas pelos 200 milhões de consumidores e pelo crescimento económico do país. Mesmo as empresas estrangeiras estão a apostar neste mercado.

Com um volume de negócios de 43 mil milhões de dólares em 2008, a ITV do Brasil é a sexta maior do mundo. Trata-se de uma indústria diversificada, que emprega cerca de 1,7 milhões de pessoas e ostenta fortes pólos industriais e de moda, em diversos Estados do país. Além disso, de acordo com o estudo da Werner, sobre a comparação dos custos de trabalho de 2008, o custo médio por hora de um trabalhador têxtil brasileiro é de apenas 3,41 dólares, ou seja, uma fracção de 20% do registado nos EUA.

Algumas das empresas têxteis do Brasil, como a Coteminas (têxteis-lar) e a Vicunha (denim), são reconhecidas internacionalmente. E, no que se refere à roupa de banho, lingerie, jeans e vestuário infantil, o Brasil é reconhecido como um líder criativo de moda.

A federação brasileira de têxteis e vestuário (Abit) e a agência de promoção da exportação e do investimento (Apex-Brasil) estão incumbidas da execução da estratégia de exportação do sector através do programa de promoção Texbrasil.

Este programa surge enquadrado numa economia emergente que a OCDE (Organização para Cooperação Económica e Desenvolvimento) prevê que possa ser a única, entre as 34 principais economias mundiais, que poderá evitar a recessão em 2009. O crescimento do PIB brasileiro para este ano está estimado em 1,5% e surge após vários anos em que foi registado um aumento de 5%.

Será então insensato acreditar que, dentro de 5 a 10 anos, o Brasil possa encontrar-se entre os dez maiores exportadores de têxteis e vestuário do mundo?

À primeira vista, não. Mas, um olhar mais atento sobre a indústria brasileira de têxteis e vestuário, mostra que a probabilidade do sector ser um futuro “campeão” das exportações é muito pequena, até mesmo inexistente.

Focalização no mercado interno
Considerada como um todo, a ITV brasileira não tem nem uma tradição, nem uma atitude de exportação. Apesar do crescimento de 30% do valor em dólares das suas exportações, entre 2003 e 2007, estas representaram apenas 4% do volume total de negócios do sector em 2008. E, com o valor das exportações de produtos têxteis e vestuário (não incluindo as fibras de algodão) avaliado em 1,75 mil milhões de dólares, o Brasil não se encontra sequer entre os 40 principais exportadores de têxteis e vestuário do mundo.

Além disso, a maioria dos 4.500 produtores de têxteis e 23.000 produtores de vestuário do país é PMEs, que preferem vender as suas mercadorias aos Estados brasileiros vizinhos. Ao fim e ao cabo, o Brasil é 35 vezes maior que o Reino Unido.

Um estudo recentemente realizado pela Ernst & Young e a FGV Projetos, prevê que a quota de mercado global do Brasil para produtos manufacturados, que está actualmente em 1,1%, seja inferior a 1% em 2030. E embora a economia brasileira continue provavelmente a crescer a uma média de 4% ao ano, a procura interna irá, de facto, estimular o crescimento do PIB.

De acordo com Fernando Garcia da FGV Projetos, as exportações brasileiras de produtos manufacturados são dificultadas por estrangulamentos nas infra-estruturas, insuficiente I&D, elevados preços da energia e inflação. Além destes factores, o próprio sistema fiscal brasileiro é efectivamente uma verdadeira “dor de cabeça” para a indústria. Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit, afirma que, apesar dos apelos ao Governo, os têxteis e vestuário vendidos no retalho acumulam impostos entre 40 e 50% nos seus preços de venda.

Refira-se ainda que, de acordo com as estatísticas da OMC, desde 2003 que “a vantagem comparativa revelada” pelo Brasil no campo das fibras têxteis ultrapassa a da China. Mas, para todas as outras categorias de têxteis e vestuário, a China é muito mais competitiva do que o Brasil. Em 2007, o índice de “vantagem comparativa revelada” da ITV chinesa foi cinco vezes superior ao correspondente índice para o Brasil.

O enorme complexo de poliéster PetroquímicaSuape, um projecto de 1,4 mil milhões de dólares que está em construção desde 2009 no estado de Pernambuco, irá melhorar a competitividade do país, mas ao nível das fibras não-naturais.

Na segunda parte deste artigo, continuamos a analisar a possibilidade do Brasil se transformar num dos principais exportadores internacionais de têxteis e vestuário.

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