Hermès contida mas confiante
A Hermès acredita que a indústria mundial de artigos de luxo pode continuar a ser atingida pela recessão económica nos próximos dois anos e, por isso, colocou em stand by alguns planos de expansão. «Na minha opinião, a crise irá durar mais tempo, talvez uns dois anos», explicou Patrick Thomas, director-executivo da Hermès, na Cimeira Mundial do Luxo da Reuters, em Paris. O segundo maior grupo de artigos de luxo do mundo em termos de valor de mercado, logo atrás do Lvmh, anunciou o adiamento da abertura de duas lojas na China e de duas unidades de produção de artigos de pele em França. Como resultado, o orçamento para investimento foi cortado dos 180 milhões de euros inicialmente previstos para os 160, segundo Thomas. As vendas deverão manter-se estáveis em 2009, o que poderá levar a uma quebra nas margens do lucro operacional «entre 0 e 1%», antecipa o director-executivo. Embora demonstre alguma prudência no curto prazo, Thomas adianta, contudo, que a Hermès se mantém confiante de que irá regressar ao nível de crescimento histórico nas vendas de pelo menos 10% a taxas de câmbio constantes. Acrescenta ainda que o grupo não está à procura de aquisições, já que está satisfeito com a sua actual taxa de crescimento interno.
Made in Italy apela à Europa
As empresas e sindicatos da indústria têxtil e de moda italiana pediram ao próximo Parlamento Europeu, eleito no passado dia 7 de Junho, que tome medidas para ajudar o sector, que tem sido particularmente afectado pela crise. Os principais actores do “made in Italy” solicitam a criação de uma comissão parlamentar para o sector da moda a fim de «promover um dos mais importantes e dinâmicos sectores produtivos na Europa». Os representantes da moda italiana querem que os membros do parlamento concretizem oito objectivos no próximo mandato, entre os quais a introdução de uma etiqueta indicando o local de produção para todos os artigos produzidos na Europa, reciprocidade no comércio internacional com a diminuição dos direitos alfandegários para os artigos europeus fora da UE, medidas anti-subsídios e anti-dumping e um reforço da luta contra a contrafacção. «Estamos a lançar este apelo, não para salvar negócios individuais mas para manter a riqueza do conjunto do sector e permitir que este sobreviva à crise», declarou Michele Tronconi, presidente do Sistema Moda Italia, a federação italiana de têxtil e moda. A Itália, principal produtor de tecidos e vestuário europeu, emprega um total de 757 mil pessoas no sector e gera um volume de negócios de 70 mil milhões de euros.
África do Sul apoia ITV
A África do Sul revelou um plano para ajudar a sua indústria têxtil a combater as importações sustentadas no baixo preço provenientes da China. O Departamento de Comércio e Indústria revelou em comunicado que irá conceder empréstimos a taxas especiais às empresas têxteis que queiram actualizar os seus equipamentos e encorajar a partilha de custos dentro da indústria. Além disso, pretende ainda combater as importações ilegais de têxteis de preços baixos provenientes da Ásia, que já levaram diversas empresas sul-africanas à falência e forçaram outras a despedimentos, assim como diminuir as taxas de importação em tecidos específicos. O Southern African Clothing and Textile Union afirmou que o plano irá permitir às empresas do país importarem, sem impostos, alguns tecidos usados em têxteis-lar e vestuário e, ao mesmo tempo, ajudar a manter os custos em baixa. A África do Sul, que deve ter registado a primeira recessão em quase duas décadas no primeiro trimestre do corrente ano, tem nas indústrias têxtil e automóvel os seus principais motores de crescimento económico. Em Janeiro de 2007, a maior economia africana estabeleceu quotas para restringir a entrada de importações têxteis e de vestuário da China, após os sindicatos se terem queixado que os produtos mais baratos estavam a prejudicar os produtores locais, mas estas foram eliminadas no final de 2008.
Paris “perde” Yamamoto
O japonês Yohji Yamamoto cancelou o desfile da casa de moda na Semana de Moda Masculina de Paris na sequeências dos efeitos da actual crise económica. «Esta é a primeira vez que não iremos apresentar o desfile masculino», referiu uma porta-voz à AFP. «Isto deve-se à situação económica e, sobretudo, ao facto de termos aberto diversas lojas nas últimas estações», explicou. Muitos outros designers de todo o mundo, contudo, irão marcar presença em Paris, de 25 a 29 de Junho, para apresentarem as suas colecções masculinas para a Primavera-Verão 2010.
Preços do algodão atraem produtores
A produção de algodão em três estados indianos do Norte, que representam cerca de 18% da produção total da Índia, pode aumentar este ano, com os preços mais elevados a encorajar a produção desta matéria-prima em detrimento do arroz. Os agricultores no Punjab, que sozinho representa 10% da produção indiana, deverão aumentar as áreas de cultivo de algodão em mais de 1% e o aumento pode ser maior em Haryana e Rajasthan. «Ao contrário do ano passado, em que os agricultores optaram pelo arroz, a antecipação de um retorno mais elevado e receios quanto ao ataque de pestes está a levar a que regressem ao algodão», revelou H.S. Bhatti, director-adjunto no Departamento de Agricultura do Punjab. A Índia, o segundo maior produtor mundial de algodão depois da China, terá produzido, em 2008, segundo as estimativas, 23,3 milhões de fardos (quase 4 milhões de toneladas). As últimas previsões do departamento de agricultura do Punjab mostram que a área de cultivo de algodão deverá crescer 4,7% este ano, dos 527 mil hectares de 2008 para os 552 mil hectares. Quanto à produção, as estimativas apontam para 2,31 milhões de fardos, 1,3% mais do que os 2,28 milhões de fardos produzidos no ano passado.
Compras em segredo
Um novo estudo mostra que face à crise económica, muitos consumidores estão a fazer compras “à socapa” dos familiares ou amigos, escondendo os artigos comprados ou mentindo quanto ao preço pago. O inquérito, levado a cabo pelo eBay na Austrália, revelou que 8 em cada 10 pessoas continuam a fazer compras apesar da recessão, escondendo-as, todavia, do seu círculo. Mais de metade admitiu que não revela às pessoas mais próximas o verdadeiro preço do que compraram, porque estas «não iriam compreender». «Reflectindo o actual sentimento dos consumidores nestes tempos difíceis, o inquérito concluiu que um em cada seis inquiridos sentiam que não era certo gastar dinheiro durante a crise financeira com tantas pessoas a perderem o emprego, a tentar poupar ou a reduzir as suas dívidas», explicou Sian Gipslis, porta-voz do eBay. O estudo revelou ainda que o principal artigo que os australianos escondem é vestuário, com mais de um terço a confessar ocultar as peças. Outros artigos que são alvo de compras “secretas” são os aparelhos electrónicos, acessórios, livros e revistas. A maioria dos inquiridos – mais de 70% – afirmou não ser capaz de resistir às compras, com quase metade a entrar secretamente em sites de vendas para fazer as suas compras de forma mais discreta e porque acredita que on-line os preços são melhores. O estudo, realizado também on-line, envolveu 1.250 inquiridos, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, residentes na Austrália.