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O novo fornecedor de roupa – Parte 2

Publicada a: 23/06/2009
Fonte: Portugal Têxtil
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Até à eliminação das quotas alfandegárias, os fornecedores eram geralmente seleccionados pela sua localização. Mas após 2005, a localização deixou de ser uma prioridade e o próprio fornecedor ganhou primazia.

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O novo fornecedor de roupa – Parte 2

Com o fim da época em que a localização era o factor determinante para a escolha de um fornecedor, conforme foi referido na primeira parte deste artigo (ver O novo fornecedor de roupa – Parte 1), entramos no período em que é dada primazia ao fornecedor e que marca o aparecimento dos fornecedores transnacionais, segundo afirma David Birnbaum, autor do “The Birnbaum Report”.

Os clientes importadores queriam tirar partido dos países com isenção de taxas de acesso ou próximos dos Estados Unidos, como a América Central e o México. Mas simplesmente não queriam trabalhar com as empresas localizadas nessas regiões. Surgem então as empresas da Coreia, Taiwan ou Hong Kong. Continuava-se a trabalhar na Ásia, beneficiando da fiabilidade asiática, mas as máquinas estavam localizadas na Guatemala ou na Nicarágua.

Este foi o período em que a Li & Fung avançou para a linha da frente, de acordo com a análise de Birnbaum. Com sucursais literalmente em todos os lugares e especialização em literalmente tudo, a Li & Fung poderia fornecer o que o cliente quisesse de onde o cliente quisesse. Se o que o cliente queria era um produto decente, expedido a tempo e horas, a um preço razoável, não conseguiria fazer melhor do que a Li & Fung.

Novo modelo de fornecedor
Actualmente, os fornecedores estão a abrir gabinetes de design e vendas em todos os mercados para os quais expedem. Com base neste cenário, a análise do autor do “The Birnbaum Report” focaliza-se agora numa nova questão: «Quem é o nosso fornecedor?».

À medida que os fornecedores se movimentam para responder aos novos desafios, a localização da produção também se desloca. Desta vez, está-se a movimentar para um lugar chamado “nenhures”.

Eis é a forma como tudo funciona, explica Birnbaum.

Os fornecedores estão agora a mudar os seus termos de expedição de FOB (free on board) para DDP (delivered duty paid) e as suas condições de pagamento de L/C (carta de crédito) para conta aberta mais 30 dias de crédito. Eles estão a vender os seus produtos FOB Nova Iorque (ou Londres ou Tóquio) e a abrir gabinetes de design e vendas em todos os mercados para onde expedem. Esta tendência vai mudar todo o processo de aprovisionamento.

Imagine a seguinte situação, desafia Birnbaum, daqui a uma década, quando três clientes – um do Reino Unido, outro do Japão e um terceiro dos EUA – que trabalham com o mesmo fornecedor se encontram acidentalmente num aeroporto. Começam a falar sobre fornecedores e apercebem-se e que os três trabalham com o mesmo – a Brandix. Um dos clientes pergunta: «Sabiam que a Brandix está localizada no Sri Lanka e na Índia?».

Os demais respondem: «Não! Como iria eu saber isso? Se eu quiser falar com a Brandix, pego no telefone e o seu merchandiser ou designer, ou técnico apanha um táxi e vem ao meu escritório. Eles expedem directamente para o meu armazém. Não tenho qualquer interesse sobre onde têm as máquinas. No que me diz respeito, são um fornecedor local».

Este é o futuro onde cada cliente acredita que o seu fornecedor está localizado noutro lugar e todos estão errados (ou correctos, dependendo da forma como se olha para estas questões).

O “quem” segue uma linha evolutiva semelhante, particularmente no que diz respeito ao mercado dos EUA. Temos a tendência para pensar no fabricante como a pessoa que produz o vestuário. No mínimo, esperamos que o fabricante corte, costure e acabe (CMT) e, mais frequentemente, que também forneça o tecido ou pelo menos que o pague (FOB)..

Na realidade, e conforme analisa David Birnbaum na terceira parte deste artigo, na indústria norte-americana, o fabricante realiza muito poucas destas operações.

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