Depois de ter entrado em administração judicial no início de Junho, o grupo alemão de distribuição e turismo Arcandor está à procura de soluções para os seus vários departamentos, mas as hipóteses de escapar a um desmantelamento parecem ser reduzidas, de acordo com um primeiro balanço apresentado no passado dia 18 de Junho pelo seu administrador judicial. «Não posso afirmar hoje que a Arcandor poderá ser salva como um todo», explicou Klaus Hubert Görg, numa conferência de imprensa em Essen, na sede da empresa.
O futuro das diversas actividades da Arcandor anuncia-se diferente para cada caso. A agência de viagens Thomas Cook, sedeada em Londres e gerida como uma entidade independente, não foi atingida pelo processo de insolvência.
Quanto à sobrevivência dos grandes armazéns Karstadt, o ponto fraco da Arcandor há vários anos, parece, para já, assegurada. Têm meios financeiros para gerir os seus negócios correntes até ao final do ano e, por isso, «não temos necessidade de um crédito para a Karstadt», explicou Görg, referindo ao apoio específico reservado às empresas em situação de administração.
A situação das actividades de venda por correspondência da Quelle, em contrapartida, está mais difícil. Görg comprometeu-se a «estabilizar e prosseguir as actividades comerciais» tão rápido quanto possível. Mas a publicação do catálogo Outono-Inverno e as necessidades financeiras para a compra de artigos esteve em risco. Apenas no dia 19 de Junho, um consórcio de bancos chegou a acordo para financiar o prosseguimento das actividades da Quelle, o que permitirá a impressão e envio dos catálogos.
«A continuidade das actividades da Quelle está, para já, assegurada», declarou o administrador judicial. «Graças às negociações rápidas e construtivas entre os bancos e o governo do Estado regional da Baviera, o financiamento a curto prazo da empresa está neste momento estabilizado. Isso dar-nos-á tempo para elaborar um projecto de futuro para a Quelle», acrescentou Görg. O governo da Baviera, ao contrário do governo federal, anunciou a sua intenção de participar com cerca de 20 milhões de euros de garantias públicas para garantir a sobrevivência da Quelle, numa medida também de prevenção, já que a maior parte dos assalariados do grupo são da Baviera.
São cerca de 43 mil os trabalhadores que estão a ser afectados pela situação da Karstadt e da Primondo (que agrupa as actividades de venda por correspondência), aos quais se juntam 6.700 pessoas que trabalham para as filiais da Arcandor. E os despedimentos não estão excluídos «em último recurso», advertiu Görg.
A Arcandor acumula dificuldades há vários anos, sofrendo com a pouca vontade consumista dos alemães e com uma gestão errática. O seu novo dono, Karl-Gerhard Eick, chegado há três meses, lançou a enésima reestruturação do grupo antes de se voltar em desespero de causa para o Estado alemão. Mas Berlim, que tinha previsto uma ajuda financeira para as empresas atingidas pela crise económica, fez valer que as dificuldades da Arcandor começaram bem antes da crise e, que por isso, não se colocava a questão de lhe conceder um empréstimo ou uma garantia.
Tendo todos estes factos em conta, os grandes accionistas do grupo poderão ser os próximos a ser chamados. Görg revelou que vai ainda examinar cuidadosamente a situação antes de ver «se, e em que medida, temos necessidade de uma contribuição dos accionistas».
A milionária Madeleine Schickedanz, herdeira da Quelle, já assegurou que não tenciona vender a sua quota de 26,7%. O outro grande accionista, o banco Sal Oppenheim, em contrapartida, reduziu a sua quota para os 24,9% e não é certo que se mantenha a bordo.
A perspectiva de desmantelamento do grupo desperta a atenção da concorrência. O grupo de distribuição alemão Metro quer ficar com os grandes armazéns da Arcandor para os fundir com os seus, enquanto que um outro, o Rewe, se interessa pela Thomas Cook. E o grupo de venda por correspondência Otto interessa-se por algumas actividades da Primondo, assim como pelas lojas Karstadt especialistas em desporto.
Por agora, contudo, irão ter de aguardar. «As vendas não estão para já em cima da mesa, quer seja para o Metro ou para outros», anunciou Görg, que se vai dedicar já à elaboração de um plano de salvamento, que permita melhores dias para a Arcandor.