Na Cimeira Mundial do Luxo da Reuters em Nova Iorque, no passado dia 8 de Junho, Claudia D’Arpizio, sócia da Bain&Co, explicou que apesar das lojas próprias constituírem um grande investimento para as empresas, as que as têm conseguem, muitas vezes, entender melhor o comportamento dos consumidores e isso poderá ajudá-las.
«Em geral, quem tem um maior controlo da sua rede de retalho está melhor preparado para reagir a esta conjuntura», afirmou D’Arpizio, acrescentando que tal se deve ao facto de «terem nas suas mãos todas as ferramentas para realmente perceberem como os consumidores estão a mudar».
A sócia da Bain&Co, que estuda o mercado mundial do luxo a partir de Milão, antecipa que as vendas de artigos de luxo – incluindo carteiras, joalharia e vestuário topo de gama – irão cair 10% este ano, depois de terem permanecido estagnadas no ano passado.
No entanto, como sublinha D’Arpizio, o sucesso não depende de um controlo a 100% da rede de retalho, uma vez que marcas com um muito bom relacionamento com os retalhistas – como os principais nomes numa dada categoria – estão em posição de trabalhar com as lojas para aumentar as suas vendas. Para ilustrar as suas afirmações, D’Arpizio estabelece a comparação entre esta situação e o que acontece na área de mercearia das Wal-Mart Stores e outros retalhistas, onde as principais marcas trabalham com as lojas em termos de marketing e para tentarem perceber como podem chegar melhor aos consumidores. «Considero, em particular, que os líderes de uma categoria podem trabalhar com as department stores e retalhistas para tentarem perceber como efectivamente podem melhorar essa relação», revelou.
A sócia da Bain&Co também considera que as marcas que fazem parte de conglomerados terão uma vantagem competitiva em relação aos nomes independentes. Isto porque marcas como a Fendi ou Givenchy, detidas pela Lvmh, ou a Gucci e Balenciaga, pertencentes à PPR, podem ter um suporte financeiro maior do que as casas de moda independentes, como a Christian Lacroix, que recente apresentou um processo de insolvência.
«De certeza que se for uma marca de tamanho médio inserida num grande grupo está melhor preparada para ultrapassar este momento de crise, porque dentro desse grupo há pelo menos uma grande máquina de dinheiro que ainda alimenta o crescimento de todas as outras», concluiu D’Arpizio.