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Sem medo da recessão

Publicada a: 25/06/2009
Fonte: Portugal Têxtil
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Embora admita a quebra do consumo por parte dos chamados clientes aspiracionais, a Burberry não se sente intimidada pela crise e mostra-se inclusive surpreendida com as vendas dos seus artigos icónicos. A empresa britânica está também a preparar o futuro, com novas soluções de sistemas de informação e a aposta no on-line.

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Sem medo da recessão

A marca britânica de luxo Burberry não se sente ameaçada pelo facto dos consumidores estarem à procura de produtos mais baratos na sequência da recessão, embora considere difícil que os chamados consumidores “aspiracionais” voltem a comprar casacos e carteiras caros nos próximos tempos.

«Há dois sentimentos diferentes nos consumidores actualmente. Um é o preço, mas o outro é o regresso a coisas intemporais e duradouras e se há retorno sobre o investimento que se está a fazer», referiu Angela Ahrendts, directora-executiva da Burberry.

«Este novo sentimento do consumidores, penso eu, funciona muito bem para o que realmente é e representa a marca Burberry. Acho que é o nosso tempo», afirmou, acrescentando que estava «espantada» pelas actuais vendas do trench coat clássico da Burberry.

A marca de 153 anos, famosa pelo seu xadrez camel, vermelho e preto, tem sido duramente atingida, juntamente com os seus congéneres do luxo, pelo abrandamento económico mundial, mas mitigou o impacto com a redução dos custos, dos postos de trabalho e dos inventários.

No mês passado, a Burberry revelou os resultados para o ano terminado a 31 de Março, indo ao encontro das previsões (ver Burberry acima dos mil milhões).

Ahrendts afirmou ainda que não espera que os compradores aspiracionais – que impulsionaram o consumo de artigos de luxo nos últimos anos – aumentem os seus gastos e voltem aos níveis anteriores à recessão nos próximos tempos. «Não acredito que voltem a qualquer das marcas de luxo tão rápida ou agressivamente como estavam a comprar». Contudo, acrescentou, há grandes variações entre regiões e outros grupos de consumidores, como os compradores mais ricos e os turistas, podem ajudar a manter a procura.

A era da carteira “must-have” provavelmente acabou, considera Ahrendts, mas os consumidores ainda estão a comprar artigos de luxo e a escolher as marcas que mais dificilmente saem de moda. «Querem que as carteiras durem. Querem ser capazes de saberem, psicologicamente, que a podem usar nos próximos anos e que ninguém saberá há quanto tempo foi comprada».

Por seu lado, a directora financeira da Burberry, Stacey Cartwright, afirmou que o mercado do luxo dos EUA e de Espanha ainda está em queda, embora não mais rápido que anteriormente, enquanto que os mercados da Europa e da Ásia estão, na generalidade, a crescer. Cartwright acrescentou ainda que a Burberry irá reduzir «significativamente» os inventários este ano, para os adaptar às difíceis condições do mercado, embora essa redução não seja tão elevada como os 19% de 2009/2010.

A Burberry antecipa que o mercado se mantenha difícil para as próximas colecções Outono-Inverno e Primavera-Verão, mas está optimista de que as encomendas mais reduzidas permitam à indústria evitar a repetição do frenesim de promoções do último Natal, segundo Cartwright. «Acho que as coisas parecem muito mais disciplinadas», comentou em relação aos actuais níveis de promoções da Primavera-Verão deste ano.

A directora financeira da Burberry revelou também que os investimentos da Burberry para melhorar a sua cadeia de aprovisionamento e os seus sistemas de tecnologias de informação já permitiram uma poupança de 15 a 20 milhões de libras (17,66milhões de euros a 23,55 milhões de euros) até agora. «Sem dúvida que a plataforma que temos agora dá-nos a oportunidade para fazermos mais», sublinhou

Cartwright assegurou igualmente que a empresa, que não tem dívidas e renegociou recentemente as suas facilidades de crédito com os bancos, está numa boa posição para aproveitar o que descreveu como sendo algumas «óptimas oportunidades» no mercado imobiliário. O grupo anunciou em Maio que quer abrir 10 a 15 lojas durante este ano fiscal, a maioria na Ásia e nas Américas. «Estamos numa posição financeira mais forte do que as pessoas estavam à espera… Se surgirem mais negócios iremos analisá-los», explicou.

Já Ahrendts referiu que o reforço da presença on-line será uma prioridade assim que o grupo tiver concluído o melhoramento da sua cadeia de aprovisionamento e dos sistemas de informação daqui a seis a nove meses. «Aí podemos assumir absolutamente que esses recursos serão redireccionados para esse canal porque achamos que será outra grande oportunidade de crescimento», concluiu a directora-executiva da Burberry.

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