Independentemente da opinião que se possa ter da Primark, em tempo de crise, o conceito de vestuário económico está a funcionar para muitos retalhistas. A desaceleração deu origem a um comprador mais preocupado com os preços do que com as marcas e, por isso, o sector de retalho low cost poderá influenciar o mercado nos próximos anos.
Muitos retalhistas de vestuário low cost estão a desafiar a desaceleração, vendendo vestuário barato para os consumidores que possuem um orçamento apertado, enquanto os que os rodeiam registam perdas e dificuldades. Eles são suportados pelos compradores que não se podem dar ao luxo de ser exigentes quando confrontados com o aumento do desemprego e condições de crédito mais apertadas.
Os consumidores estão a aperceber-se que as t-shirts, os jeans e os vestidos de designer são vendidos a preços exorbitantes nas department stores, quando comparados com o equivalente nas lojas Primark, e muitos não se podem dar ao luxo de ser exigentes.
Além disso, alguns especialistas sectoriais acreditam que os retalhistas low cost, como a Primark, são mais do que beneficiários temporários da crise de crédito. Ken Watson, director-executivo do Industry Forum Services, afirma que «não acredito que muitos consumidores pensem que os retalhistas low cost vendem moda descartável. Trata-se de um bom artigo de moda e barato. O custo de vestuário desceu ao longo do tempo e as pessoas estão a comprar mais de retalhistas como a Primark. Deste modo, quando a economia recuperar e a procura regressar, certamente não irá significar que os retalhistas de moda como a Primark vão perder, de repente, a sua vantagem».
A Verdict Research considera que o sector de vestuário económico ocupou quase um quarto do total do mercado britânico de vestuário no ano passado, subindo dos 10,7% que possuía há uma década atrás. Os principais actores no Reino Unido são a Primark, New Look e Peacocks, com cada um a registar margens saudáveis e lucros com a venda de vestuário barato, mas na moda, principalmente para mulheres mais jovens.
Para além destas cadeias, os supermercados Tesco, Asda e Sainsbury's também vendem vestuário a preços reduzidos, com sucesso variado. A Primark está marginalmente à frente da marca George, pertencente à Asda, líder do Reino Unido no vestuário económico.
No entanto, Maureen Hinton considera que o sucesso dos retalhistas de vestuário económico não aparece apenas com a recessão. A analista de retalho da Verdict Research defende que «a quebra [económica] foi uma influência e os dois principais vencedores foram a New Look e a Primark. Ambos vendem aos consumidores jovens, que estão menos expostos à economia do que os mais velhos. No entanto, não tem tudo a ver com a economia. Contribui em certa medida, mas tem mais a ver com o posicionamento da moda e as credenciais de uma loja. A principal tendência do consumidor é que as pessoas estão a ser mais selectivas em relação ao que compram. As marcas ainda podem sair-se bem, mas isso depende mais do produto que da marca».
O mais recente sinal de resistência no vestuário low cost surgiu quando a New Look registou um aumento de 10% nas suas receitas para 2009. A empresa, que abriu 27 lojas internacionais nesse período, reela que vai continuar a superar o mercado através da combinação de «grande moda e grande valor».
Curiosamente, a New Look triplicou o número de visitas anuais ao seu sítio de comércio electrónico, com base no ano passado. Um desempenho de relevo num sector que, tradicionalmente, não está associado ao retalho on-line. A Primark, por exemplo, nem sequer tem um sítio de comércio electrónico.